Em Lavre já ninguém se levanta
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Muitos dos campos do Alto Alentejo já se desfizeram de qualquer marca humana. São paisagem e nada mais.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
"O que mais há na terra é paisagem", dizia Saramago acerca de Lavre.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Adelino lembra-se da sova que levava quando trabalhava nos campos antes do 25 de Abril: "Éramos escravizados".
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Em Lavre, viveu-se o sol a sol do latifundiário, a alegria da Reforma Agrária, e agora a desertificação do interior.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Viridiana, nos tempos do Estado Novo, via-se forçada a guardar os filhos num caixote para os abrigar da chuva.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Na pequena freguesia do concelho de Montemor-o-Novo restam reformados e alguns postos relacionados com o turismo e valência de idosos.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
Aos levantados do chão resta-lhes a memória dos tempos da Reforma Agrária.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
"Que o senhor Primeiro-Ministro venha ver se estamos levantados", atesta Marcolino Ferreira.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
"É um acto de coragem ser-se presidente de junta no Alentejo - as pessoas tudo perdem aqui", desabafa Ângela Catarino, presidente da junta de Lavre.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
O negócio da cortiça é das poucas actividades que ainda se desenvolvem em campos do Alto Alentejo.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
“Perdemos tudo pelo que lutámos. Temos que nos levantar novamente do chão”, diz António Joaquim.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
O presidente da câmara de Montemor-o-Novo garante, desolado, que a reforma agrária, hoje "seria totalmente reprimida e as pessoas acusadas de não respeitar a propriedade privada”.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
"Viver, trabalhar, ajudar – tudo isso era o levantado do chão. Já não se vê isso”, afirma Daniel Dias.
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Em Lavre já ninguém se levanta
Foto de João Gaspar
A antropóloga Paula Godinho conta que, durante a reforma agrária, "as pessoas sentiam que podiam fazer alguma coisa. Os seus braços contavam".
Por entre campos que se esquecem há pessoas que não se fazem de esquecidas. Em Lavre, terra que faz de espaço ao romance "Levantado do Chão" de José Saramago, as pessoas ainda recordam e lembram a reforma agrária. O par de anos que trouxe felicidade e sentido de justiça a um povo que lutou pela terra dada a quem a trabalhava está ainda presente no discurso destas pessoas. Os levantados do chão ergueram-se contra o sol a sol do latifúndio mas estão agora vergados a um Alentejo de onde o Homem parece ter fugido. Por João Gaspar






