Zeca Afonso: Entre histórias e memórias
Terça, 21 de Fevereiro de 2012
por Maria Garrido
Na semana em que se comemora o 25º aniversário da morte de José Afonso, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) promoveu hoje 21, terça-feira, um debate em forma de conversa sobre o ícone da música de intervenção. Por Maria Garrido
“Será que existe/ lá para os lados do oriente/ Este rio este rumo esta gaivota/ Que outro fumo deverei seguir/ na minha rota?”, assim canta Zeca em Utopia, uma das faixas do álbum de 1983, Como Se Fora Seu Filho. São estes alguns dos versos que podem facilmente traduzir o sonho que comandou a luta do muito mais que músico contra o regime opressor Salazarista.
Foi então em jeito de homenagem a um homem que tanto deu à cidade que a DG/AAC abriu esta tarde à comunidade coimbrã as portas do Auditório Paulo Quintela. Não um debate, mas mais “uma conversa”, disse o Secretário da DG/AAC, Paulo Ferreira. Uma conversa informal, que contou com a participação dos jornalistas Adelino Gomes e Joaquim Vieira e o amigo e companheiro musical de José Afonso, Rui Pato.
Paulo Ferreira apresentou a mesa dos oradores, explicando a intenção de se ficar a conhecer “as duas facetas” do músico; o seu lado “artístico, da rutura, da canção de Coimbra” e o seu lado “otimista, da mensagem política, da canção de intervenção”.
De histórias a memórias, Zeca foi recordado com todo o carinho na voz de todos. O primeiro contacto, a Academia na década de 60 com a introdução da canção de Coimbra trazida pelo estudante de História e Filosofia, o que o distinguia dos outros artistas, entre outras, foram algumas das questões que surgiram.
No final da sessão, o presidente da DG/AAC, Ricardo Morgado, agradeceu aos convidados dando continuidade ao tom informal até ali levado. O presidente lembrou ainda a exposição discográfica do músico intitulada «Desta canção que apeteço – Obra discográfica de José Afonso 1953//1985», presente na Praça do Comércio.
José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, deixando um legado marcante daquele que não se calou nunca perante a censura. A música interventiva de Zeca foi o mote para o despoletar da Revolução dos Cravos do 25 de abril de 1974.






