Uma sociedade em mudança
Terça, 24 de Maio de 2011
por Acabra .Net
"No futuro, seremos cidadãos-deputados, e votaremos livremente em tudo aquilo que nos apeteça votar". Por Bruno Monterroso, editor de País e Mundo d' A CABRA
Estamos a atravessar um período de transformações, comum aos diversos povos. Com efeito, os diversos bens essenciais têm vindo a estar cada vez mais acessíveis a todos, ao contrário do que sucede literalmente há séculos. Mais, existe ainda uma convicção cada vez mais generalizada de que se não existe uma maior abundância destes bens, em grande parte se deve ao seu desperdício ou injusta distribuição. Paremos por momentos para refletir: desde há demasiado tempo que existem recursos e tecnologia mais que suficientes para impedir que uma pessoa ainda morra de fome a cada três segundos.
Assim, era inimaginável há dias atrás que um ajuntamento de pessoas tivesse, numa semana, criado em Madrid (e noutros pontos do globo), uma pequena cidade, com posto de saúde, biblioteca ou jardim infantil, mas sem betão, projetos caros ou orçamentos que invariavelmente derrapam. Ou seja, quando uma pessoa descobre que o seu trabalho (gestão do património comum) não vai ser feito por outros (políticos), então não há outra solução que não construir e partilhar soluções, apesar dos mais variados obstáculos com que diariamente o exercício da “democracia real” se depara. Com efeito, em qualquer país, criar um partido ainda exige uma avultada soma de tempo, burocracia e dinheiro, que a maioria da população não quer ou não pode gastar.
Assim, apesar de em Portugal existirem 19 partidos, só os dois que recebem somas de dinheiro suficientes para distribuir cargos remunerados conseguem ter expressão efetiva nos diversos círculos de decisão. Isto quando existem, nos mais diversos setores da sociedade, a força, energia e vontade de um sem-número de pessoas - certamente mais que as que imaginamos - de mudar a vida de todos para melhor. A democracia exclusivamente representativa, resíduo de tempos em que a esmagadora maioria dos povos era analfabeta, tem, num mundo livre, os dias contados. No futuro, seremos cidadãos-deputados, e votaremos livremente em tudo aquilo que nos apeteça votar, desde que lá esteja aplicado o dinheiro dos nossos impostos.






