Uma janela para a descoberta do "Eu"
Sábado, 06 de Março de 2010
por Jonathan Costa
O Anfiteatro da Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade de Coimbra (FPCE-UC) recebeu na noite de ontem, 5, a iniciativa "Psicodrama: O Lado Público na Primeira Pessoa" com Joana Amaral Dias e António Gonzalez. O conflito entre os "eus" público e privado esteve em evidência num encontro intimista e informal
O encontro começou de forma inesperada. Uma curta dramatização, com integrantes do grupo de teatro "Interdito" da FPCE-UC, introduziu as duas dimensões humanas que estariam em "conflito" durante o encontro - o "público" e "privado".
Ostentoso e exageradamente simpático, o "público" foi o primeiro a apresentar-se. Depois, receoso e cabisbaixo, chega o "privado". O embate começará.
A licenciada em Psicologia e ex-deputada do Bloco de Esquerda, Joana Amaral Dias, revelou que a vitória só poderia caber ao "público". Afinal, "a esfera pública está nitidamente em vantagem", de acordo com "as últimas teorias e com a epistemologia", explicou. "Se o desfecho for outro é porque estamos de facto num microclima ou houve batota", acrescentou Joana Amaral Dias.
E assim foi. A vitória coube ao "público". Contudo, "somos um bicho social, formados nesse trânsito entre o ser mais profundo ["privado"] e aquilo que é o social, que nos rodeia ["público"]", explicou o professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), António Gonzalez.
Explorar as dimensões pública e privada do nosso "eu" é o que pretende o psicodrama, que utiliza técnicas típicas do teatro para esse efeito. Segundo António Gonzalez, o psicodrama permite que o indivíduo aprenda acerca de si "através dos olhos do outro".
Tendo como suporte a teoria da "Janela de Johari", António Gonzalez e Joana Amaral Dias realizaram quatro actividades de interacção com o público, que mostrou-se receptivo, aderindo ao que lhe era proposto.
As espectadoras Regiane Macuch e Flávia Sacilotto caracterizaram, respectivamente, as actividades como "interessantes" e "divertidas" e ambas reconheceram que "na segunda vez" tudo decorreu de forma "mais fluída".
"Estranhamente agradável", foi como um espectador referiu-se a uma das actividades realizadas.
António González e Joana Amaral Dias proporcionaram uma atmosfera intimista e informal ao encontro, o que acabou por marcar a fluidez das actividades assim como a total receptividade por parte do auditório. O evento não poderia ter corrido de melhor forma.





