Um pianista na escuridão

Terça, 02 de Março de 2010

por Rafaela Carvalho

António Pinho Vargas concedeu hora e meia de composições a uma plateia quase lotada para a comemoração dos 720 anos da UC. Entre os temas tocados contam-se General Complex e La Corazón

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António Pinho Vargas é actualmente professor de Música Portuguesa na Faculdade de Letras da UC Foto por D.R.

“É raríssimo em Portugal comemorar-se coisas com esta idade” referiu António Pinho Vargas no concerto dos 720 anos da Universidade de  (UC) que teve lugar ontem, 1, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).

Durante hora e meia o compositor e professor de Música Portuguesa na Faculdade de Letras da UC tocou ao piano temas como "Fado Negro", "Da Alma" e "General Complex", sem esquecer os êxitos "Tom Waits", "June" e "La Corazón".

Entre composições António Pinho Vargas dedicou alguns momentos para interacção com o público nos quais recordou os concertos de free jazz realizados no TAGV, em 1972 e 1973, que foram a sua  primeira ligação à cidade.

“A situação dos teatros não está boa” lamentou ainda, referindo a cada vez maior dificuldade de programação de eventos.

“É lamentável que os meus discos nunca tenham sido vendidos no estrageiro” referiu o artista na sua intervenção final.

No entanto, revelou encarar a vida com ânimo apesar de “em última análise, o artista viver sempre numa espécie de escuridão”.

Perante uma plateia completa, António Pinho Vargas, partilhou o palco apenas com o piano e o microfone, e concedeu um encore final num prolongado agradecimento pelo convite para comemorar o aniversário da UC.

 

“Lindo Ramo, Verde Escuro”, uma das composições ouvidas no concerto: