Todos temos um monstro. E o CITAC mostra-nos isso

Quarta, 14 de Dezembro de 2011

por Acabra .Net

Entre 14 e 19 de dezembro, o CITAC lança um convite à intervenção crítica, com a peça “Monstro Meu”. De uma forma pouco convencional, o público vê-se diante de um limbo temporal, onde as emoções se cruzam com o humor. Por Ana Duarte

Monstros
A peça é fruto do projeto apresentado para o concurso de encenação lançado pelo CITAC Foto por Ana Duarte

"Estamos prontos?", pergunta o encenador Rodrigo Santos aos atores, que, por detrás dos panos negros do estúdio do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), se iam preparando, e ultimando os últimos retoques para começar o ensaio. "Monstro Meu" é a peça a estrear dia 14 de dezembro, ficando por lá até ao dia 19.

A sala encontra-se às escuras e o ensaio começa. "É provável que eu mande bitaites, mas divirtam-se", avisa Rodrigo Santos. E os atores divertiram-se. A empatia entre o encenador e os membros do CITAC é notável, apesar de ser a primeira vez que trabalham juntos.

No palco, surge uma criatura que nos faz lembrar o pequeno robô do filme "Wall-E". Depois, o conflito de uma atriz que acordou do pesadelo de ter tratado o texto por você – e não por tu. A peça continua com uma desconstrução de conceitos: o conceito dramatúrgico e o de conteúdo. O encenador trabalhou na aposta de fornecer formação aos atores, pois sabe que está a lidar com " um grupo de pessoas de passagem" e não com atores profissionais. "Eu quero que os atores fiquem com noção do que é construir um espetáculo", afirma Rodrigo Santos, daí o grupo dos atores do CITAC ter acompanhado o processo tanto de criação de textos originais, como de citações. E assim, "o texto foi-se construindo", completa Viviane Andrade, membro do CITAC.

O público é convidado a intervir e é revelada a verdadeira essência do CITAC: a atitude arrojada, crítica e interventiva. A encenação de Rodrigo Santos ajuda neste exemplo de caráter: "Monstro Meu" alicia até ao mais distraído dos espetadores a uma postura cada vez mais cívica, mais social e mais crítica.

O trabalho da produção tem sido um misto entre o tranquilo e o frenético. "Eu venho de uma companhia que está habituada a trabalhar em cima do joelho, com prazos curtos e ideias originais, e tentei fazer isto no CITAC", explica o encenador. Deste modo, ele tenta que o grupo de atores tenha a noção de como um espetáculo é feito do início até ao fim, sem esquecer a economia de custos e de tempo. Anabela Ribeiro, membro do CITAC, apelida este trabalho de "montanha-russa": "é a cena das emoções, do que é que é o texto nos dá para termos a personagem". Isto, em pouco tempo.

"Monstro Meu" relaciona várias personagens com vários contextos, mas com uma linha organizada. "A peça, no geral, tem uma espinha dorsal para chegar às emoções, à linguagem de espetáculo", explica Viviane Andrade. Ao público, é possível passar por vários estados de emoções através das representações dos atores. "Mexemos em coisas da infância, como é criar os nossos próprios monstros. Colocamos isso na nossa linguagem e esperamos que as pessoas fiquem tocadas, de uma forma ou de outra, com isso" acrescenta Viviane.

O objetivo essencial desta peça, qual limbo temporal onde se cruzam diferentes conceitos como infância, democracia e até o referendo grego, será provocar reação no público. Mas não uma reação qualquer. "Quero que o público tenha tomates. Se não gostar da peça, abandona a sala", afirma Rodrigo Santos. Não quer com isto dizer que as expetativas para a estreia não são boas, de todo. "É uma peça que tem o tempo certo para o tipo de comédia que é e humor que tem". Por isso, "as expetativas são boas e eu estou contente", revela o encenador.

Com Mariana Santos Mendes