Tecnologia inovadora para autistas em desenvolvimento
Quarta, 23 de Novembro de 2011
por Acabra .Net
Aplicação virtual desenvolvida pelo DEI e IBILI pode permitir melhoria da interação social em crianças com autismo. Por Paulo Sérgio Santos
“Foram encontrados estudos, numa pesquisa bibliográfica efetuada, que mostram que aplicações computorizadas para ensino de conceitos a crianças com autismo, funcionam melhor que sessões terapêuticas”, refere um dos investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Universidade de Coimbra, Marco Simões. Tal perceção resultou no desenvolvimento de uma tecnologia virtual que pode permitir uma avaliação clínica e monitorização da reabilitação em crianças autistas, a partir de casa e sem a presença de um terapeuta.
Tudo começou com um “protótipo que estuda um conceito muito específico de atenção conjunta - duas pessoas partilharem a atenção por um objeto”, afirma Marco Simões, acrescentando que “o objetivo é simular esse conceito num ambiente virtual”. A aplicação recorre à monitorização, por eletroencefalograma (EEG), e “quando um objeto é ativado, conseguimos identificar um padrão, um sinal neurológico, que é suposto acontecer se a criança prestar atenção ao objeto correto”, explica ainda Marco Simões. “O algoritmo que está a ser desenvolvido deteta o padrão e contabiliza o número de vezes que ocorre nas circunstâncias certas, permitindo que a criança aceda a novos conteúdos, atingido o ‘score’ estabelecido”, esclarece Paulo Carvalho, outro dos responsáveis do projeto e investigador e docente no DEI.
Atualmente, o desenvolvimento da tecnologia passa por uma remodelação do material utilizado, “que engloba um capacete de realidade virtual, uma touca de EEG com fios, tudo demasiado intrusivo num estudo em crianças com autismo”, comenta Mauro Simões, adiantando que a equipa de investigação está “a tentar adquirir material telemétrico, menos intrusivo”. Segue-se, então, a validação clínica “onde se verá se isto generaliza ou não. Contudo, o que está para trás já é um grande avanço em termos científicos e tecnológicos, uma descoberta per si”, conclui Paulo Carvalho.
Um dos problemas que se pode levantar é o potencial custo do ‘hardware’ pelos pacientes, que Paulo Carvalho considera “pertinente em todos os sistemas de telemedicina, pelo que não há uma resposta para essa questão, isto é, ainda não se encontrou, hoje em dia, um modelo de negócio adequado a este tipo de sistemas”. Em Portugal, “o facto do Sistema Nacional de Saúde apostar mais numa medicina curativa, ao invés de uma medicina preventiva, pode ser um óbice”, continua o docente do DEI. Todavia, esta aplicação tem, na opinião de Marco Simões, “potencialidades globais, com o mundo como mercado possível”.






