Teatro no Pátio
Quinta, 24 de Junho de 2010
por Fábio Rodrigues
Na segunda noite do IV Festival das Companhias, uma pequena multidão encheu a bancada improvisada no Pátio da Inquisição onde o Teatro das Beiras apresentou o seu mais recente trabalho, a peça “Cirineu, uma morte anunciada”, que estreou no passado dia 16
“Uma história banal, igual a tantas outras”. A afirmação é atirada pela narradora, na parte final da peça, em jeito de autodefinição. Com efeito, o enredo de “Cirineu, uma morte anunciada” joga com a vulgaridade da história, procurando expor um paralelismo com a realidade.
O desenvolvimento da acção é típico de uma peça cuja mensagem é uma crítica social directa. No contexto de grande desigualdade social, surge Alfredo Sousa, vulgo Cirineu, pertencente à classe dos fracos e oprimidos. Depois de julgado injustamente, é aprisionado e, ao escapar do cativeiro, torna-se um símbolo entre os menos favorecidos. O desfecho da história é apresentado na primeira cena da peça, com a “morte anunciada” de Cirineu.
O espectáculo é marcado por vários momentos musicais, que procuram trazer alguma dinâmica ao desenrolar de uma história algo previsível. Se, por um lado, esta tentativa resultou em alguns momentos, proporcionou também outros de menor sincronia.
Segundo a companhia esta é uma peça que procura mostrar como “é ténue a fronteira que distingue o justo, do justiceiro, num mundo desigual”. Acrescentando que no contexto das desigualdades sociais “cada vez maiores, esta é uma história para não esquecer”.






