Simplificar a robótica
Sábado, 03 de Dezembro de 2011
por Filipe Furtado
O Museu da Ciência abre portas à Semana Europeia da Robótica e ensina a programar e a construir pequenos robôs com 'Legos', de uma forma simples e para todas as idades: “a robótica não tem de ser uma coisa só da universidade”
No feriado do dia 1 de dezembro, o auditório do Museu da Ciência recebeu crianças e jovens para a ação de formação “Programar programadores”. Nesta iniciativa, os participantes aprenderam como montar ou utilizar um kit NXT, da linha do brinquedo LEGO. As aprendizagens são depois aplicadas na “grande batalha” entre os robôs desenvolvidos. “O objetivo deste evento é sensibilizar algumas pessoas para a parte mais lúdica da robótica”, destaca Tiago Caldeira, do Instituto de Ciências e Robótica da Universidade de Coimbra.
Pode parecer complexa a ideia de programar e de construir robôs, porém as atividades simplificam as coisas. “Não vale a pena darmos nomes muito técnicos. Apenas algumas palavras-chave, como sensores, motores, que convém já perceberem”, explica Tiago Caldeira, que desmistifica o pensamento geral de que “é preciso ser um génio para conseguir fazer robôs ou programá-los”. Destaca ainda a necessidade de “mostrar às pessoas que a robótica não tem de ser uma coisa só da universidade”.
Em menos de um dia, todos os participantes estavam a programar as suas criações LEGO, adquirindo determinados conteúdos que podem ser ensinados nas aulas, mas que apreenderam de “forma inata" aqui, segundo o organizador do evento.
Depois da formação, durante a manhã do feriado, a tarde é reservada para a preparação dos engenhos a uma versão robótica da batalha de sumo japonesa, onde vence quem empurrar o adversário para fora do ringue. Os problemas surgem, ora com o comportamento do robô, ora com os sensores. Todos os participantes tentam escolher a melhor estratégia de combate, alterando as linhas de comando, de modo que o seu LEGO evite sair dos limites da arena.
João Silveira, de 15 anos, participa nestes torneios desde 2007 e conta com várias presenças em campeonatos do mundo. O participante da AdoT (Associação Desenvolver o Talento), indica que “a linha de programação” habitual consiste em que "o robô, ao ver a linha, recue”. A arma principal da equipa é a rampa improvisada no LEGO. Enquanto o robô avança, o adversário aproximar-se-á do limite do campo e ao ver a linha colorida da rampa recuarão. “Eles acabam por nos fazer o favor de sair”, acrescenta.
Já Carlos Xavier, de apenas cinco anos, identifica uma falha com o aparelho que logo comunica: “o sensor às vezes falha”. “Vamos ter que o testar agora”, adianta poucos minutos antes do combate.
A estratégia da equipa azul de João Silveira, composta por membros da AdoT, resulta em quatro vitórias, depois de duas voltas entre as quatro equipas e à melhor de cinco combates cada. A tarde de combates corre com grande animação, com alguns dos aparelhos a perderem peças em pleno combate, ou com participantes que aumentam o eixo das rodas motrizes para evitar sair do ringue antes do adversário.






