“Silêncio para não perturbar o culto!”
Quinta, 09 de Junho de 2011
por Acabra .Net
Sobral de Ceira foi palco de mais um ensaio da peça “Coimbra 1111”. Um padre resmungão, bruxas e romanos: um quadro diferente, com personagens de todos os tempos, a que nem o SNS faltou. Diálogos humorísticos, como prova a personagem do padre: “Silêncio para não perturbar o culto!” Por Ana Duarte e Ana Morais
Antes do ensaio com o grupo de teatro de Sobral de Ceira, os atores do Teatrão deslocaram-se à Rua João de Aguiar, onde se localizava a antiga Porta de Belcouce. Entre indicações e movimentações contantes, os atores dão sugestões e imaginam já o público no dia de estreia. Ainda antes de viajarem até Sobral de Ceira, houve tempo para um café. Este grupo assemelha-se a uma família comum, as conversas de partilha são constantes.
Já no Centro Popular de Trabalhadores de Sobral de Ceira (CPT), ensaia-se o Quadro IV. Esta cena é repleta de analepses e prolepses - uma mistura de tempos. Cruzam-se personagens e caraterísticas de época diferentes: romanos, uma rainha sueva, bruxas, enfermeiras do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e até o lusitano Viriato, ainda que apenas referenciado.
No decorrer do ensaio, a camaradagem entre profissionais e amadores foi evidente. Para além deste ambiente, há grandes ensinamentos que o grupo de Sobral de Ceira absorve do grupo do Teatrão: “é proveitoso, sempre vamos aprendendo”, confirma a atriz amadora, Filomena Sousa. E isso revela-se no modo como os entusiastas da quinta arte atuam e como as cenas fluem.
Mais uma vez, era notória a diferença de idades entre os elementos do grupo. É um facto: em teatro, a idade é acessória. Mas neste grupo a presença dos jovens é mais visível. A permuta de experiências de gerações é motivadora para todos.
Um dos fundadores do grupo de teatro amador de Sobral de Ceira, António Amado (de nome artístico Tó Amado) conta a história da casa: “este grupo remonta a 1975. Éramos pessoas com sede de qualquer coisa”, explica. A maior parte dos trabalhos realizados pela companhia são feiras medievais. “Temos corrido o país e o mundo. Até já fomos a Marrocos!”, conta orgulhosamente a atriz e figurinista, Helena Amado. Este trabalho é feito juntamente com outra secção do grupo: “Os Saltimbancos”.
No final do ensaio António Amado conta que as expetativas são elevadas: “o Teatrão é uma companhia de relevo em Coimbra, por isso só podemos contar com um grande êxito”.






