Sarkozy quer reforçar segurança e política de imigração

Sábado, 31 de Julho de 2010

por Vasco Batista

O presidente francês promete reforçar a política de segurança e imigração em França, numa “guerra” aberta à criminalidade e a “vadios e traficantes”. O reforço vai passar também pela restrição na obtenção da nacionalidade francesa

France
Os confrontos têm envolvido a polícia de Grenoble e vários jovens de comunidades ciganas Foto por D.R.

Após os tumultos em Grenoble, em que vários agentes policiais foram ameaçados de morte e uma esquadra foi atacada, o presidente francês, Nicólas Sarkozy convocou esta sexta-feira, 30, uma reunião de emergência com o restante executivo. O Governo decidiu demolir, nos próximos três meses, cerca de metade dos agrupamentos nómadas ilegais e ainda expulsar de França os ciganos dos Balcãs (os roms) e de outros países como a Roménia.

A restrição à nacionalidade francesa é uma medida que Sarkozy pretende ver aplicada a “todas as pessoas de origem estrangeira que tenham voluntariamente atentado” contra o agente. Mas não só. O presidente francês quer também que “a aquisição da nacionalidade francesa por um menor que tenha cometido crimes não seja mais automática, no momento da maioridade".

Várias autoridades e instituições já reagiram às intenções de Sarkozy. A Comissão Europeia deu luz verde às políticas do presidente francês. A porta-voz da instituição europeia, Viviane Reding, referiu que as normas comunitárias quanto à circulação de pessoas no seio da União Europeia “dão aos Estados membros [da UE] o direito de controlar o seu território e lutar contra a criminalidade”. Por seu turno, a Liga dos Direitos do Homem refere que esta política é “o mesmo que assimilar estrangeiros e pessoas de origem estrangeira à delinquência”.

Um dos países mais implicados é a Roménia. O ministro da Justiça romeno referiu, Catalin Predoiu, referiu que urge uma “real cooperação” com Itália e que “é importante saber se os países de acolhimento introduziram a tempo políticas adequadas de imigração e asilo político respeitantes aos roms, incluindo programas governamentais de integração social". Já em 2009, foram expulsos cerca de oito mil roms, dois terços dos quais terá entretanto regressado a França.

A oposição francesa fala em racismo e perseguição à população e condena a política de segurança de Sarkozy. Mas o Governo garante que as leis “são para todos” e que os direitos dos roms não vão ser esquecidos.