Sabina Freire marca última noite do IV Festival das Companhias
Domingo, 27 de Junho de 2010
A co-produção da Escola da Noite e da Companhia de Teatro de Braga conclui o evento cultural que, este ano teve lugar na "casa" da Escola da Noite, em Coimbra
Para o dia 27, que conclui o certame da Plataforma das Companhias, está reservada para as 21h30 a reposição de "Sabina Freire", no palco do Teatro da Cerca de São Bernardo. A peça é uma co-produção da Escola da Noite e da Companhia de Teatro de Braga, baseada na obra original de Manuel Teixeira Gomes. O preço dos bilhetes varia entre os 6 e os 10 euros.
Leia aqui o Em Palco do Jornal A Cabra dedicado à peça "Sabina Freire":
Sabina Freire tem 24 anos. É bela: pernas longas, ancas curvilíneas, ventre liso, braços finos, seios pequenos e arrebitados, pescoço longo e cabelo curto. Conquista pela forma como se move e pela libertinagem com que fala e actua. Quando entra em cena usa sapatos negros altos, vestido traçado que deixa vislumbrar as pernas em movimentos estudados e lábios pintados de vermelho vivo rematando a provocação.
Maria Freire tem 60 anos. Cintura e ancas largas, rugas marcadas, cabelo encaracolado apanhado, olhos escuros e penetrantes. A sua conquista é uma manipulação perigosa através do poder de influenciar e os assédios descarados. Chega a palco vestida de negro, com um xaile pelos ombros, apoiada numa bengala que em nada diminui a sua prepotência.
São duas mulheres que partilham e disputam os mesmos homens e a mesma casa. No fundo, a mesma vida. Sabina e Maria mostram-nos que duas “senhoras” não podem dividir um só domínio. À sua volta gravitam os homens. Vivem em função dos seus humores e vontades, meros figurantes do confronto que preenche a peça.
No entanto, Sabina Freire não é só uma novela. É uma sátira à sociedade monárquica com final anunciado, escrita cinco anos antes da Implantação da República, por Manoel Teixeira-Gomes, republicano que chegou a ser presidente de 1923 a 1925. Frente a frente estão os que aceitam as influências das sociedades republicanas da França e do Brasil, e os que têm como maior preocupação as propriedades de figueiras no Algarve.
A certa altura alguém diz: “em Portugal não há emprego, há empregos”. Esclarecendo que cada necessidade e capricho é pago por um fundo diferente. E é esta situação que torna o texto tão intemporal. Esta e outras tantas críticas que surgem ao longo da peça.
A produção, que resulta de uma parceria entre a Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga (CTB) ganha, entre outras coisas, por actores que conseguem levar as suas personagens ao extremo da representação, por um olho vigilante que brinca com sombras e movimentos e por um jogo de cadeiras que se vai adaptando a todas as situações. Como conta Rui Madeira, encenador da CTB, “a cadeira é o objecto de excelência do teatro”.






