Reflexões sobre as eleições na Académica

Domingo, 19 de Junho de 2011

por Acabra .Net

"Apesar disso, a “generosidade” de tantos associados, que conheço e respeito, pensaram em José Eduardo Simões como alguém que deu o”peito às balas”. E daí a premiá-lo, nas urnas, foi um instante, esquecendo a sua rota de colisão com o Direito Penal. por causa da Académica". Por José Belo

Desceu o pano nas eleições para a Associação Académica de Coimbra/ Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF), justificando-se um despretensioso balanço.

Começo por dizer que, quando alguns esperavam um cartão vermelho ao Eng. Eduardo Simões (JES), pelas trapalhadas em que se envolveu, arrastando consigo a Instituição, eis que muitos sócios quiseram “ensinar” ao colectivo dos juízes as razões académicas que, em seu entender, seria de bom tom ter tido em conta no julgamento deste caso.

Contudo, para quem conhece o que se passou, os argumentos que esses sócios chamaram à colação não são exaltantes, devendo cada um assumir as suas responsabilidades académicas face à sua fragilidade.

Julgo mesmo que deixaram, até, um rasto de desilusão nuns, preocupação e vergonha noutros, sobretudo naqueles que querem verdade e rigor, à frente de tudo, na gestão da AAC/OAF.

Mas os votos falam outra linguagem e, em termos de opinião pública, parecem expressar um esforço de branqueamento do que já se passou na primeira instância, mais parecendo que a nação académica, votante, convida o JES a governar mais três anos nos desastrados termos em que o tem feito e da forma que mais lhe aprazar.

Será que a única posição sensata, numa Instituição que já foi de referência no panorama sócio-desportivo nacional, é deixar que as coisas sigam este tipo de caminho?

Claro que não!

Apesar disso, a “generosidade” de tantos associados, que conheço e respeito, pensaram no JES como alguém que deu o”peito às balas” por causa da Académica.

Por esse facto, assumiram que lhe deviam estar gratos pelo “voluntarismo” que exibiu ao fazer todos os disparates, que na lógica do seu conceito de gestão poderia fazer.

E daí  a premiá-lo, nas urnas, foi um instante, esquecendo a sua rota de colisão com o Direito Penal.

Por isso, é minha convicção que a maioria dos sócios achou que lhe era devida uma manifestação pública de gratidão, através do voto.

Se calhar alguns pensaram, até, que comparados com ele como eram pequeninos muitos dos anteriores Presidentes, que tinham como seu grande “defeito” a preocupação permanente com a imagem da Académica/OAF e faziam das boas práticas companheiras de viagem nos seus mandatos.

Para os resultados, que deram uma vitória ao JES, não encontro outra explicação mais benevolente do que esta.

Mas serão estas as únicas razões para a derrota de Maló?

De maneira nenhuma!

Houve mais grãos na engrenagem da LISTA B.

Desde logo as insinuações que, com algum descaramento, JES lançou sobre “formas de gestão” pouco consequentes numa secção desportiva da AAC, quando Maló foi seu Presidente.

Pegaram e medraram em muitos sócios. Passaram a verdadeiros artigos de fé.

Mesmo quando se lhes lembrava que ele, Maló, nunca tinha sido acusado, pronunciado, julgado e condenado em primeira instância, como o JES, a quatro anos e sete meses, com pena suspensa, pelo crime de corrupção.

Depois a questão das quotas.

Chegados aqui, parece-me que o Presidente da Comissão Eleitoral não andou bem ao decidir os 'timings' do pagamento das quotas. Ele é um homem sério, excelente jurista mas, neste caso, não esgotou o que a uma personalidade universitária da sua craveira se exigia. Desde logo, na minha opinião, cometeu o primeiro erro, quando em declarações à comunicação social, disse que apoiava o JES.

Lembro que o lugar do equidistante Presidente da Comissão Eleitoral era já conhecido e, no mínimo, pedia-se distanciamento em relação aos concorrentes.

Depois, deixou muita gente boquiaberta quando, ao olhar-se para as listas, vemos nelas sócios (Vítor Batista, por exemplo), que podem ser eleitos e que não podem votar.

Será que a lei que permite o mais (ser eleito), não permite o menos (votar), interrogava-se um fervoroso académico e excelente advogado da nossa praça.

Este princípio parece-me estruturante na interpretação das leis e regulamentos.

A partir disto, com a sua decisão, azedou tudo e lá vinha (injustamente) à cabeça de muitos sócios, apoiantes da LISTA B, a figura da mulher de César… levando até o tema para os jornais.

Julgo que se podia e devia ter feito melhor neste lamentável incidente, que cerceou a vários sócios o direito a votar, alguns até figuras de grande importância na vida da Instituição, como sucedeu com o Dr. Mário Campos (ex-atleta e ex director).

Julgo, porém, que não adianta iludirmo-nos sobre o efeito das fintas que se querem fazer à realidade, que foi criada à AAC/OAF com a vitória do JES, mas que, infelizmente, pode levar, no curto prazo, a situações “sensíveis” para ele, (há recursos no processo e tudo pode acontecer), que podem penalizar ainda mais a Instituição.

Acreditem que não quero ter razão, embora defenda que pela Instituição não vale tudo e que é preciso, sempre, que alguém se agaste, se indigne, quando se atropelam e passam determinadas fronteiras de que sempre fomos guardiães.

Com tudo isto, tanto quanto pretendi foi evidenciar que precisamos de dar a volta ao cinzentismo, que grassa na Instituição.

Contudo, esta Direcção começa, já, mal esta sua caminhada ao não saber ganhar, como ressalta da grotesca e pueril cena do bolo que o JES exibiu, na noite das eleições, com a seguinte legenda:

"- JES 2, MALÓ 0!!!"

É bom que se saiba que ser candidato não é entrar em nenhuma batalha, sendo apenas um verdadeiro serviço académico.

De facto, é preciso alguma elevação para perceber isto…

 

*Atleta da AAC/OAF – 1965 a 1979, Membro da Comissão Administrativa (Pré-CAC) 1974/1975, Dirigente do CAC – 1975/76, Presidente do Núcleo de Veteranos – 2003/2005 e 2007/2009 e Sócio votante nº 337.