Reacções finais da Assembleia Magna
Quinta, 11 de Março de 2010
por Diana Craveiro
Assembleia Magna (AM) ficou marcada por várias divergências entre grupos de estudantes e a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC)
Num plenário que durou cerca de cinco horas, o que gerou mais discussão foi a participação, ou não, da AAC na manifestação em Lisboa na próxima quarta-feira, 24, Dia do Estudante, promovida pela Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Uma iniciativa que acabou por ser reprovada quando foi a votação.
Numa AM que contou com a presença de cerca de 300 estudantes, o primeiro ponto discutido foi a possível participação da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação de Coimbra (AE/ESEC) na assembleia, à semelhança do que aconteceu na AM de 18 de Novembro.
A decisão foi reprovada em votação e o vice-presidente da DG/AAC, Rui Carvalho, disse que a AE/ESEC não deveria participar porque isso abriria um precedente para que várias associações estudantis pudessem participar na AM quando quisessem.
Já o presidente da direcção-geral, Miguel Portugal, absteve-se na votação porque “compreende os problemas da ESEC” mas ressalva que “todas as associações de estudantes têm um órgão próprio”. “A AM é o órgão dos estudantes da Universidade de Coimbra, embora o presidente da AE/ESEC esteja à vontade para falar comigo directamente”, acrescenta.
O representante da AE/ESEC, João Morgado, diz que, apesar de não lhe ter sido dada a oportunidade de falar em AM, mantém “uma posição de diálogo aberto” quanto à sensibilização dos alunos. O estudante afirma ainda que vai “continuar a mobilizar, não o vice-presidente da DG/AAC, mas o presidente, para os problemas”.
Lutas antigas despoletam discussão
O debate tornou-se ainda mais aceso depois de Rui Carvalho ter proferido algumas afirmações em magna que deram origem a várias manifestações de reprovação. Quando estava a tentar explicar que a política de diálogo pode surtir efeito, o vice-presidente da DG/AAC lembrou a manifestação de estudantes em 1992 que reuniu “sete mil macacos” e ainda a invasão do senado, a 20 de Outubro de 2004, como exemplos de iniciativas que acabaram por não ter resultados práticos já que em 2004, por exemplo, a propina máxima acabou por ser fixada.
As declarações de Rui Carvalho receberam várias críticas, e, segundo João Morgado, o dirigente estudantil “perdeu toda a credibilidade”. Pouco tempo depois, o vice-presidente subiu ao púlpito para pedir desculpa pelo “lapso de linguagem”. Segundo o estudante, a expressão resultou de “factores de personalidade” e de “expressões que costuma utilizar”, mas que “não espelham qualquer postura em relação ao que estava em causa”.
Rui Carvalho diz ainda que não se pode esquecer que “o universo de estudantes que a DG/AAC tem que representar extrapola em larga escala os estudantes presentes na AM”. O dirigente acrescenta que “as reacções mais efusivas foram desencadeadas por estudantes claramente conectados com certos e determinados aparelhos”, sem querer esclarecer quais.
Moções aprovadas
Numa Assembleia Magna em que foram apresentadas oito moções, a participação da AAC na manifestação em Lisboa foi reprovada pelos estudantes. Também reprovada foi a disponibilização, por parte da AAC, de um autocarro para que pudesse transportar os estudantes que quisessem ir manifestar-se à capital.
Uma das moções aprovadas, apresentada pelo Conselho Inter-Núcleos em parceria com a DG/AAC, foi a simulação de um jogo de xadrez entre o Governo e os estudantes que vai decorrer às 12 horas no dia 24, Dia do Estudante, no largo D.Dinis.
Outra moção propõe a elaboração de um caderno com "imagens ilustrativas das péssimas condições do Estádio Universitário de Coimbra", que vai ser enviado para o Governo. Também os Serviços de Acção Social da UC (SASUC) estiveram em discussão com a aprovação de uma moção que consiste na deslocação dos estudantes a uma das cantinas sociais onde vão colocar os seus serviços ao dispôr dos responsáveis.
Reprovada foi também a realização de uma manifestação no dia 5 de Maio contra a política de sub-financiamento do Ensino Superior.





