Quirguistão dá licença para matar

Sábado, 12 de Junho de 2010

por Jonathan Costa

A presidente interina quirguize, Rosa Osunbayeva, ordenou que as forças de segurança disparem sem aviso a fim de controlar os confrontos étnicos que agitam o sul do país asiático

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Ruas do Sul do Quirguistão encontram-se sob patrulha Foto por D.R.

O governo provisório do Quirguistão ordenou hoje, 12, que as forças de segurança do país "a utilizar armas de fogo sem aviso" nos confrontos étnicos que têm assombrado o país e que já provocaram, até ao momento, cerca de 75 mortos e 1000 feridos, avança a agência noticiosa France Press. O anúncio é, no entanto, apenas válido para as regiões de Osh e Jalalabad, que se encontram em estado de emergência.

A medida do governo quirguize é feita horas depois da tutela ter solicitado ajuda da vizinha Rússia para combater a maior vaga de violência no país desde a deposição do presidente Kurmanbek Bakiev, no passado mês de Abril.

Em declarações a Agência Reuters, a presidente interina do Quirguistão, Roza Otunbayeva, revelou que "nós [Quirguistão] precisamos que entrem forças de segurança de fora da área para acalmar a situação". "Nós fizemos um apelo à Rússia e eu já assinei a carta endereçada ao presidente (da Rússia), Dmitry Medvedev", acrescentou Otunbayeva.

No entanto, Moscovo considera que o momento não é apropriado para uma intervenção do país. Em declarações a agência Interfax, a porta-voz de Medvedev, Natalya Timakova, esclarece que "é um conflito interno e por ora a Rússia não vê condições de tomar parte na sua solução".

Antiga república soviética, o Quirguistão é um pobre país da Ásia Central, com cerca de 5,3 milhões de habitantes.