Que rumo para a Académica/OAF?
Quarta, 07 de Outubro de 2009
por Acabra .Net
Vive-se hoje, na AAC/OAF, um período conturbado, de crise de identidade e de valores. Daí termos de pensar mais o que queremos ser, o que é importante para continuarmos a existir. Por José Belo, presidente do Núcleo de Veteranos da AAC entre 2001-2003 e 2005-2007
Olhar para dentro da instituição e vermos o que temos melhor do que os outros, que possa resgatar-nos desta nebulosidade… Temos algumas desvantagens, mas temos essa grande vantagem da diferença, que sempre marcou o nosso ADN.
Mas, numa instituição como a AAC/OAF, não se pode continuar a arriscar o seu futuro através de uma política desportiva suicidária. Nos últimos seis anos foram mais de cem os jogadores que “assinaram” pela Académica, alguns deles com histórias de vida desportiva, dentro da instituição, verdadeiramente surrealistas. E isto sem falar nos recrutamentos “made in DVD” que foram tornados públicos pelo treinador de sucesso que dá pelo nome de Domingos. Afirmação pública que não teve qualquer contestação…
Trata-se de uma gestão desportiva míope, que não afecta à formação as verbas necessárias para podermos fazer a diferença. E ela é vital, enquanto espaço onde se deve potenciar muitas das nossas energias académicas.
As preocupações com a parte desportiva estão sobredimensionadas e ao rubro, consumindo energias, quase em exclusividade, no quotidiano da instituição.
Dir-me-ão que na última época essa “fixação” deu num sétimo lugar na liga. Pois bem, nem assim me convenço da bondade dessa opção. É que quando um qualquer clube se vê ao espelho são os três pontos que modelam a sua imagem. Mas quando a Académica se olha nesse espelho, a imagem que nele se projecta tem a ver com muito, muito mais do que os resultados desportivos.
A dimensão social, a diferença que ela suscita, a vantagem comparativa que ela nos dá, não faz parte prevalecente do discurso “oficial”. E isso empurra para fora do “barco negro” da Briosa, cada vez mais parcelas de associados que se revêem, com orgulho, nessa dimensão. E mais grave ainda, os adeptos e simpatizantes da AAC/OAF começam a viver a angústia da dúvida sobre o futuro. Por isso, não se está a conseguir parar a anorexia de que padece a instituição, bem visível, domingo após domingo, no Estádio Municipal.
Driblar os obstáculos, repondo os equilíbrios sociais e desportivos, é uma tarefa inadiável. Trata-se de um grande empreendimento, de um grande desafio, para se impedir que se desça mais fundo… numa descida que pode começar a ser perigosa.
Apesar de tudo eu acredito que é possível parar esta “hemorragia” académica. Há, ainda, muita gente devota da Briosa que acha e quer que a AAC/OAF continue nos carris do séc.XXI, com os afinamentos reclamados por novos tempos e que pressupõem duas linhas de referência: por um lado, apontar os binóculos académicos para o longe, com ambição e modernidade; por outro lado, saber manter viva a constatação de que a AAC/OAF não pode deixar de ser olhada, na sua diferença, com uma justíssima ponta de orgulho e fazer acreditar que ela é capaz de alargar as suas fronteiras competitivas, sem abdicar das suas responsabilidades sociais.
É possível ter uma AAC/OAF diferente? É. Para isso acontecer é preciso políticas sócio-desportivas também diferentes, que saibam ser agressivas, ganhadoras, mas que não esqueçam nunca que o verdadeiro “core business” da AAC/OAF é a sua diferença. Ela é a nossa bandeira. A diferença existe, só que não tem sido regada e cuidada nos últimos tempos.






