Projeto BeFree marca presença no 3DS
Quarta, 21 de Dezembro de 2011
por Acabra .Net
Equipa multidisciplinar de estudantes vence a primeira maratona de 48 horas de programação do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FCTUC, com o projeto BeFree, dirigido a pessoas com limitações físicas. Por Filipe Furtado e Paulo Sérgio Santos
A meio da tarde ainda faltava muito para se iniciar a programação a sério. Os estudantes, entre cigarros, portáteis e “brainstorming”, começavam a planear os passos das 48 horas seguintes. Alguns com projetos já bem definidos, outros ainda em fase de decisão.
A equipa BeFree foi das primeiras a avançar. “O projeto visa dotar as crianças com deficiências motoras de uma maior acessibilidade”, como explica Joana Figueiredo, membro da equipa e estudante de Antropologia.
O evento é desenvolvido no âmbito da disciplina de Processos de Gestão e Inovação, na qual os alunos têm de organizar uma atividade. Miguel Goyanes, um dos organizadores da maratona, refere a importância da iniciativa que difere daquilo que é realizado dentro do DEI, onde “há muitos alunos com ideias” que acabam por se perder por falta de investimento.
A maratona é a “oportunidade de poderem tirar uma ideia do papel”, dentro da área das tecnologias, e mesmo que durante os dois dias as equipas não consigam chegar a um produto final, podem “criar um princípio”, perceber se a ideia tem valor ou não e desenvolver uma pequena rede de contactos, explica Miguel Goyanes.
Depois de jantar, já se nota mais movimento nas salas, entre um jogo de matraquilhos ou um desafio de Guitar Hero. Enquanto algumas equipas ainda esboçam o projeto num quadro de ardósia, os membros da equipa BeFree já têm algum trabalho para apresentar. Um comando da Wii possibilita o envio de pequenas mensagens para telemóvel e não só. Trata-se de “promover a integração social e dotar de independência” pessoas com deficiências motoras, refere Joana Figueiredo.
Durante o fim de semana, muitos participantes permaneceram em trabalhos 24 sobre 24 horas. “Houve equipas que vieram cá trabalhar um bocado e depois acabaram por trabalhar por fora”, indica o organizador que aponta para os desenvolvimentos noturnos, intercalados com manhãs de descanso.
48 horas depois, os merecidos vencedores
No domingo à tarde, dia 27 de novembro, são conhecidos os vencedores, após a apresentação dos projetos ao júri, ligado às áreas do empreendedorismo e tecnologias. O dormitar de alguns dos estudantes participantes é visível pelas cabeças tombadas sobre os braços nas mesas do auditório.
A qualidade e a surpresa levam a que se crie algo que não estava pensado: uma menção honrosa. Os vencedores são a equipa “http”, composta por João Soares e Diogo Costa, estudantes do 1º ano de Engenharia Informática, criando um projeto que permite aos utilizadores conhecerem novas músicas dentro do seu género predileto.
Na palavra de Miguel Gonçalves, porta-voz do júri, “a equipa vencedora foi escolhida por unanimidade, tendo em conta o seu público-alvo, o ser uma equipa multidisciplinar e ainda pela quantidade de trabalho desenvolvida ao longo do fim de semana.” E foi anunciado o nome BeFree.
“O conceito é basicamente a utilização de um sensor de movimento a partir do comando da Wii e dessa informação, os dados são enviados por “bluetooth”, esclarece Tiago Caldeira, membro da equipa vencedora e estudante de Engenharia Eletrotécnica. A utilização do aparelho faz-se pela cabeça ou por uma extensão colocada numa das extremidades do corpo. A aplicação, para além do envio de sms, permite, através de um robot, transportar objetos, até mesmo medicamentos, ou usar diversos sensores: medir batimentos cardíacos, sensores de distância ou temperatura e detetores de chama.
E agora? “O futuro imediato é regressarmos à normalidade porque neste fim de semana deixámos tudo para trás, mas depois é para continuar. Nós não paramos”, finaliza um Tiago Caldeira radiante.






