À procura de uma segunda casa

Sexta, 27 de Agosto de 2010

por Acabra .Net

Entre Agosto e Setembro, estudantes procuram um local para viver durante o período de aulas. Residências universitárias, repúblicas e apartamentos e quartos para arrendar são as soluções mais procuradas. Reportagem por Jonathan Costa e Patrícia Troca

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As repúblicas constituem uma solução de vida em comunidade em Coimbra Foto por Inês Silva

Com Setembro à porta, muitos estudantes universitários aproveitam a época para começar a já habitual procura de casa. Neste sentido, as residências universitárias dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC), as tradicionais repúblicas e os inúmeros quartos e apartamentos para arrendar são as principais soluções disponíveis para a comunidade estudantil.

No entanto, é apenas em meados de Setembro, que a “cidade do conhecimento” se enche de caloiros que vêm em busca de novas experiências e aprendizagens, assim como de um local para morar.

Viver a universidade em comunidade

O espírito académico, a vida comunitária e o companheirismo são as principais vantagens de viver numa república.

Henrique Santana, da Real República Boa-Bay-Ela, realça que, numa república, “as pessoas são muito próximas, são praticamente irmãos”. Para o estudante, que já vive na Boa-Bay-Ela há quatro anos, “essa intensidade da relação” proporciona que “consigamos fazer muito mais coisas juntos , o que produz resultados muito positivos”.

No que diz respeito a custos financeiros, viver numa república implica essencialmente os mesmos gastos do que alugar um quarto individual. No entanto, Henrique Santana destaca  “a socialização e a aprendizagem para a vida” que viver numa república proporciona como factores ainda a ter em conta na hora de pesar a balança.                             

Estima-se que existam cerca de 28 repúblicas de estudantes na cidade de Coimbra. Esta histórica e característica forma de vida universitária atrai bastante a curiosidade da população em geral, nomeadamente da comunidade estudantil.

Henrique Santana revela que são muitos os que consideram “ a república um mundo fechado”. O estudante defende, todavia, que a maioria das repúblicas “têm sempre a porta aberta para as pessoas poderem conhecer a casa”.

“A república não é um mundo fechado, é um mundo extremamente aberto”, acrescenta.

Uma solução cada vez mais procurada

As residências universitárias dos SASUC têm registado, nos últimos anos, um aumento significativo de procura. Jorge Gouveia Monteiro, administrador dos SASUC, revela que, contrariamente aos anos anteriores, “neste momento, para Setembro, já existem listas de espera”.

O administrador dos SASUC realça ainda que “a capacidade [das residências] está quase esgotada”. “Se o fluxo de estudantes a entrarem para o primeiro ano for semelhante ao da época passada estimamos que a nossa capacidade fique lotada”, acrescenta.

Gouveia Monteiro aponta “o grande esforço na divulgação das residências”, nomeadamente junto as escolas secundárias, assim como a relação custo-benefício (63,90 euros para alunos bolseiros), que “é altamente convidativa”, como os principais factores que justificam o aumento da procura das residências.

Telma Pita, estudante de Direito, foi uma das pessoas que, após ter conhecimento das residências numa acção de divulgação na Casa da Madeira de Coimbra, optou por esta solução. “É barato e bom para socializar”, justifica a estudante.

No entanto, a estudante reconhece que a vida numa residência implica algumas dificuldades, a maioria destas associadas ao grande número de pessoas que habitam no local, como o facto de a cozinha ser pequena, o barulho e a internet ser lenta, devido à grande utilização.

Gouveia Monteiro salienta que “vários edifícios têm necessidade de obras de conservação extraordinária”, como “reparações nas coberturas e canalizações”. Contudo, o administrador dos SASUC frisa que, “em relação a isso, os SASUC têm procurado sensibilizar os governantes de que não basta investir em edificios novos, é necessário investir na manutenção”.

A “convivência e a possibilidade de conhecer novas pessoas, sobretudo de outras nacionalidades” são, para Telma Pita, as principais mais-valias de viver numa residência.
 

Arrendar também é opção

Para Marcelo Pereira, aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, a “higiene, segurança e comodidade” são as principais exigências na procura de um lugar para ficar.

O factor proximidade começa, com efeito, a perder preponderância, nomeadamente para os alunos que procuram habitações na Alta da cidade, visto que se verifica a falta de condições nestes espaços, localizados numa zona antiga da cidade. No entanto, a proximidade da universidade continua a ser uma exigência, sobretudo dos alunos de 1.º ano.

“Depois ao conhecer a cidade, ao conhecer mais casas, o mais importante é a relação entre o preço e a qualidade do quarto”, explica Marcelo Pereira. Isto porque “a distância em Coimbra não é problema. No fundo, a cidade é pequena”, acrescenta, salientando a facilidade de deslocações a pé ou de autocarro.

Já Manuel Albuquerque, arrendatário em Coimbra, considera que a escolha dos estudantes recai sempre nos “quartos que não têm senhorio em casa”. Para este senhorio é esta a principal preocupação dos estudantes.

No entanto, admite que “há dispersão, visto que se encontra estudantes a morar na Baixa”. Por isso não nota grandes exigências em quem procura casa, embora saliente “uma ligeira preocupação com a vista”, havendo muita procura de quartos com varanda.

Os preços dos quartos não preocupam muito os investidores que os gerem a partir de comentários e jogam com a inevitabilidade que é, para alguns estudantes, ter que arranjar um lugar onde ficar em Coimbra.

Segundo Manuel Albuquerque, “arrendar a estudantes não causa grandes preocupações” mas comenta que estes “descuidam a limpeza” e “não se preocupam com o próprio conforto”.