Pagamento do estádio não é para já
Terça, 14 de Fevereiro de 2012
por Acabra .Net
Apesar de o princípio utilizador pagador do Estádio Universitário de Coimbra devesse ter entrado em vigor no mês de janeiro, tais pretensões abrandaram. Por Fernando Sá Pessoa
Depois de ter havido um atraso nas negociações do princípio utilizador pagador, as atenções estão agora focadas num modelo de gestão partilhado, após o Conselho Desportivo (CD) e as secções desportivas da Associação Académica de Coimbra terem chegado a um consenso quanto a métodos de gestão eficiente do Estádio Universitário de Coimbra (EUC). Em relação à primeira abordagem feita pela Fundação Cultural da Universidade de Coimbra (FCUC), o tesoureiro do CD, Miguel Franco, afirma que “há pequenos males que veem por bem”. O que neste momento acontece é uma “grande aproximação entre o CD e a FCUC, pelo que essas decisões colocam a DG/AAC no centro da gestão do estádio”, acrescenta.
A respeito desta matéria, a vice reitora Clara Almeida Santos admite que, numa fase inicial, terá havido “algum clima de tensão motivado pela mudança do histórico de relação”. No entanto, estando as negociações a decorrer agora em torno de um paradigma de gestão partilhada do EUC, a vice reitora congratula-se com o facto de que “o ambiente, neste momento, dificilmente poderia ser melhor”.
Os intentos de um pagamento do EUC feito pelas secções desportivas da AAC a partir do dia 1 de janeiro não tiveram êxito, pelo que a primeira proposta, feita pela FCUC, foi devolvida pelo CD com uma contra-proposta. Apesar de “as coisas não se estarem a desenrolar com a velocidade que se desejava”, também por causa da recente mudança na direção da AAC, a vice reitora julga que, na pior das hipóteses, “a situação deverá estar resolvida no início da próxima temporada”.
No âmbito da primeira abordagem por parte da reitoria, que Miguel Franco entende que seria “fatal para o desporto universitário”, o documento que veio a público apontava para cerca de duzentos mil euros anuais como valor de pagamento a ser comportado pelas várias secções utentes do EUC. Quanto às requalificações que foram realizadas pelas secções desportivas ao longo dos anos, Clara Almeida Santos justifica a sua não inclusão nas contas por “não serem exigidos pagamentos retroativos”.
Aumento das receitas de publicidade
Nesta senda de propostas que o CD fez, muitas já começaram a ser postas em prática. Miguel Franco e Clara Almeida Santos apontam como principal medida a revisão do regulamento de publicidade do EUC. O tesoureiro do CD critica o atual regime, apontando-lhe o cariz excessivamente burocrático. E concretiza que, “se uma secção quisesse um patrocínio de mil euros, o reitor tinha que autorizar as percentagens que iam para o estádio, para a secção e para os outros sítios”. Outras soluções têm sido também discutidas e já avançadas. São os casos da captação de água do subsolo para consumo próprio, como banhos. Para Franco, o esforço da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra tem, neste sentido, sido “essencial”. A racionalização da energia é igualmente foco de controlo, agora com a instalação de contadores de luz e de água em cada pavilhão do EUC, em detrimento de um contador geral que, nas palavras do membro do CD, não permitia “controlar os gastos”.
Entretanto, está também em agenda uma eventual campanha para o EUC celebrar os cinquenta anos, em 2013, num contexto de requalificação do estádio.
Negociações com a Câmara Municipal de Coimbra
Do mesmo modo, numa proposta que os órgãos gestores do EUC têm, neste momento, em mãos, e que pretendem continuar a discutir entre si, poderá estar uma eventual fonte de receitas. Em causa está a construção de novos acessos ao Convento de São Francisco. Miguel Franco vê esta situação como uma hipótese favorável à estratégia de investimento do EUC. “A única coisa que a câmara pede é o terreno junto aos serviços administrativos, que atualmente é uma estrada”, adianta. Esses mesmos serviços seriam deslocados para outro sítio, pelo que tais encargos seriam comportados pela CMC.






