"Os portugueses são inexistentes no quadro europeu"

Quinta, 29 de Julho de 2010

por Rafaela Carvalho

António Pinho Vargas criou para a noite de ontem, 28, um concerto "exigente" para um público pouco habituado à música contemporânea, em especial composta por portugueses

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António Pinho Vargas é actualmente professor de Música Portuguesa na Faculdade de Letras da UC Foto por D.R.

"Os portugueses são inexistentes no quadro europeu" declarou na noite de ontem, 28, o compositor António Pinho Vargas referindo-se aos artistas musicais, mas sem deixar de esclarecer que é um problema comum a todas as artes.

O também professor de Música Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC) dirigiu o concerto "Movimentos Fugidios" de ontem da Quinta das Lágrimas, caracterizado pelo Jornal de Letras como "belo e exigente". António Pinho Vargas justificou que a exigência do espectáculo se devia ao facto de ser composto por música do século XX, música de um compositor português e obras a que a maioria do público nunca assistiu.

O compositor explicou ainda que "a música separou-se do seu tronco comum com o corte progressista e o corte pós-guerra" o que levou a um afastamento do público.

O espectáculo contou com a participação do pianista Miguel Henriques, da soprano Sónia Alcobaça, da clarinetista Ana Maria Santos e do violoncelista Carlos Gomes.

Em "formato de carta branca", o programa proporcionou ao público três momentos musicais específicos, resultantes da proposta que a organização do Festival das Artes fez a António Pinho Vargas para que este elaborasse um plano de concerto em que focasse a ideia de água - mote de todo o festival - e a música dos séculos XX e XXI.

Por essa razão, o compositor optou "por conceber o programa num retrato autobiográfico". Num primeiro momento, Pinho Vargas brindou o público com "duas primeiras músicas de jazz, que têm sempre uma componente de improvisação".

A segunda e terceira partes, com Miguel Henriques ao piano, foi uma viagem pela "música erudita" dos séculos XX e XXI.