XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra

O casamento tropical do vídeo e da música

Quarta, 03 de Março de 2010

por João Ribeiro

Música, vídeo e ritmos tropicais invadiram a Sala Grande da Oficina Municipal do Teatro ontem, num espectáculo que se tornou uma visita guiada ao imaginário popular do Sertão brasileiro

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O espectáculo d'A Banda combina música e vídeo Foto por João Ribeiro

Em palco estavam quatro rapazes, um na guitarra eléctrica, outro na bateria, um com o baixo e ainda outro na percussão (e, diga-se com um sem número de instrumentos, alguns não passando de rudimentos). No entanto, muitos mais acompanharam os quatro.

O espectáculo “A Rua do Vidéo”, definida como “a passarela da cultura popular”, vem contar as lendas de uma região e projecta as suas personagens muito particulares. Rabiscos de crianças, “a meninada” da Fundação Casa Grande, acompanham as estórias cantadas pelos habitantes do Cariri, uma região do estado brasileiro do Ceará.

Dona Preta, António Maranhão e Cego Heleno são alguns dos contadores das histórias que servem como pano de fundo aos quatro artistas que, na noite de ontem encheram a Oficina Municipal do Teatro de ritmos tropicais misturados com agradáveis laivos “rockeiros”.

Nem mesmo um problema com o sistema de som desmotivou A Banda, um agrupamento que tem levado este espectáculo aos quatro cantos do mundo, como os próprios revelaram. Ao princípio com alguma timidez, depressa se foram ambientando e a atmosfera tornou-se bastante intimista na fase final da actuação.

A Fundação Casa Grande foi criada em 1992 com o objectivo de potenciar as qualidades turísticas da região do Cariri. Para isso tem contado com a participação de crianças e apostado na sua formação musical e artística, naquela que é uma das regiões mais carenciadas do Brasil. Como desabafou uma cearense na plateia: “viver no Cariri não é fácil”. A Casa Grande tem facilitado.