Novo modelo de intervenção apoia crianças em perigo
Quinta, 15 de Dezembro de 2011
por Acabra .Net
O Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrado permite maior autonomia das famílias e melhores soluções para crianças e jovens negligenciados. Por Filipe Furtado
Um novo modelo de avaliação e intervenção em famílias com crianças em situação de risco foi desenvolvido na Universidade de Coimbra (UC). O Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrado (MAIFI) é uma ferramenta de apoio a Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e a tribunais nas decisões a tomar acerca do futuro desses menores, garantindo apoio às respetivas suas famílias.
Ana Teixeira de Melo, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC (FPCEUC), é a responsável pelo desenvolvimento desta nova ferramenta de intervenção social que foi criada para “apoiar o processo de mudança de famílias «multidesafiadas», ou seja, que experimentam várias dificuldades, vários desafios e que têm vidas muito difíceis”.
O novo modelo de intervenção foi avaliado ao longo de quatro anos, em sete concelhos do país, através de Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental e respetivos parceiros locais. A investigação resulta de uma tentativa de otimizar recursos humanos das equipas interdisciplinares compostas por psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais, que medeiam essas problemáticas.
A principal caraterística do MAIFI é a de ser “um modelo colaborativo, centrado nas forças”, onde a intervenção é feita com a família, a partir das suas competências e recursos, sublinha a investigadora. Há que “perceber se a criança está segura” e avaliar quais as formas de ajudar os pais “ para melhor cumprirem com as suas funções”.
Os elementos das equipas que trabalham com esses agregados familiares, fazem-no “numa relação de parceria”, aponta Ana Teixeira de Melo. “Presta-se atenção a cada um dos indivíduos da família, aos desafios que cada pessoa tem de lidar, mas também às condições da família, as condições ambientais e sociais de vida, a ligação que tem com a comunidade e aos constrangimentos que aquelas que vivem numa situação de pobreza têm que enfrentar”, acrescenta a responsável pela investigação.
Nos modelos tradicionais as famílias são acompanhadas por diversos especialistas e por várias instituições. Isto dificulta o processo para a família que “às tantas está perdida no meio de tantos profissionais”, com projetos diferentes. Segundo a investigadora, o MAIFI é “um modelo no qual a família ganha maior poder sobre a sua realidade”, isto é, “tem um papel mais autónomo”.
O MAIFI é um modelo terapêutico que “procura reforçar e revalorizar as relações dentro da família”, é “um modelo social, porque há uma preocupação em ajudar a família a alterar as suas circunstâncias sociais e ambientais ”, é um modelo educativo “na medida em que se procura ajudar a família a desenvolver competências para cuidar melhor das crianças” e um modelo forense que garante orientações específicas para garantir apoio ao sistema de proteção de menores.






