No Celeiro, a boa disposição é ingrediente de ensaio
Terça, 07 de Junho de 2011
por Acabra .Net
“Há pessoas e há atores. Nós somos uma raça à parte”, afirma um ator do Teatrão. A companhia de teatro de Coimbra deslocou-se ontem à freguesia de Pereira, em Montemor-o-Velho para iniciar trabalho com o grupo de teatro ”O Celeiro”, num ambiente envolvente e acolhedor, mas sem nunca esquecerem o que os traz ali: o ensaio da peça “Coimbra 1111”. Por Ana Duarte e Catarina Gomes
Dos oito aos 80. O grupo amador de teatro “O Celeiro”, residente na freguesia de Pereira, é uma panóplia de gerações, com velhos e crianças, onde todos se ajudam e se apoiam mutuamente. No ambiente, leve e descontraído, impera a boa disposição mas também se valoriza o trabalho sério. É uma reunião de amigos com a mesma paixão que arranca ao sinal da diretora artística Isabel Craveiro – “Vamos lá malta, juntem-se aqui!”.
Dia 6, ensaiou-se o Quadro I - O Desembarque. O papel dos elementos do grupo será interpretar os mouros que desembarcam na margem do rio para conquistar a cidade. Rapidamente nos apercebemos que a interação com o público é fulcral para o desenvolvimento da narrativa. Isabel Craveiro dá indicações e interage a tempo inteiro com os atores. Quando estes têm dificuldade em saber como se posicionar, juntam-se todos numa roda e exploram as possibilidades de alterarem alguma coisa no texto. “O que fazem as personagens a seguir?”, “Porquê?”. Como afirma Isabel Craveiro, “há coisas que só descobrimos em frente ao público, há outras que temos de estudar”. O ambiente é leve e a criatividade pode fluir. É este o processo criativo utilizado para a elaboração do guião, cujo resultado final só se vai conhecer na estreia.
O diretor musical, Manuel Rocha, que colabora pela primeira vez com O Teatrão no projeto Coimbra 1111, ensaia com o grupo a primeira música. As canções são músicas tradicionais portuguesas, escolhidas pela sua melodia e funcionalidade na peça. “Vamos usar o mínimo de instrumentos possível. Queremos soluções portáteis. E as vozes das pessoas soam mais alto”, explica.
À medida que a noite vai avançando, chega a hora dos mais novos irem para casa e os mais velhos, agora mais descontraídos, representarem mais fluidamente e bem dispostos. “Eu gostava de experimentar!”, diz o Rei dos Mouros cedo de mais. Silvio Carvalho, 50 anos, fundador do grupo e ator responde em tom jocoso: “espera lá que já experimentas!”.
Silvio Carvalho mostra-se confiante a respeito da peça. Depois do seu grupo ter colaborado já numa apresentação do mesmo género – “Peregrinações” (peça também dirigida por O Teatrão) - com tão boa prestação, deseja o mesmo para este trabalho. Arménio Paiva, 76 anos, Ti Arménio para a malta do teatro, corrobora o que o colega diz, acrescentando: “fomos convidados pelo grupo d' O Teatrão e ficámos muito gratos, dado que reconheceram o nosso valor”.
Segue-se o ensaio com o grupo de teatro de Ribeira de Frades.






