Manifestação da CGTP dá voz à contestação em Coimbra

Sexta, 25 de Novembro de 2011

por Acabra .Net

Como previsto pela CGTP, a concentração distrital de Coimbra realizou-se hoje, pelas 11 horas na Praça 8 de Maio. A manifestação contou com a presença da organização sindical e ainda com a presença vários apoiantes que se mostraram solidários para com esta causa. Por Juliana Soares

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Na praça 8 de Maio estiveram presentes mais de 1500 manifestantes Foto por Camilo Soldado

O discurso que deu início à marcha de manifestantes foi proferido por Arménio Carlos, sindicalista da CGTP que, de forma sucinta, enumerou os dez pontos fundamentais que constituíam a “justificação essencial da greve”. De cartão vermelho em riste, os manifestantes ouviam atentamente o discurso e apoiavam o que estava a ser dito com gritos e palmas. Outras pessoas, que por ali passaram ocasionalmente, limitaram-se a marcar presença vendo e ouvindo o discurso.  É o caso de Jerónimo Manso, um manifestante que disse que esta greve poderia ser o “início de uma tomada de consciência quer pelo Governo, quer pela população”. Já Arménio Rangel, outro ouvinte atento, lamentou o facto de “a greve geral não parar completamente o país”, visto que “nem todos os setores aderiram” à causa.

José Manuel Pureza, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e ex-deputado do Bloco de Esquerda por Coimbra, ressalvou o facto de esta ser “uma greve maior do que a do ano passado” e apelou à participação ativa dos jovens universitários dizendo que “os estudantes têm a noção do que está a acontecer à universidade pública, nomeadamente no que toca à questão orçamental”. Pureza acredita que “qualquer governo sensato não deixaria de tomar em consideração uma mobilização como esta”.

Finalizada a intervenção na Praça 8 de Maio, a multidão de manifestantes iniciou a sua marcha rumo à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Ao longo da deslocação, ouviam-se os manifestantes que repetiam slogans de intervenção tais como “a luta continua” e “é preciso que isto mude, emprego para a juventude”. Houve também quem, da janela de um prédio na Avenida Fernão Magalhães, mostrasse o seu desprezo para com os ativistas, ao que Arménio Carlos respondeu “ainda bem que há gente em Portugal que ganha bem”.

Quando chegaram ao destino pouco mais de meia hora depois, os manifestantes ouviram as breves palavras do sindicalista que salientou que “a greve geral não é o fim da luta”. De seguida, foi entregue um documento à ACT, que fazia referência à política do atual governo e à grande adesão à greve.

Em declarações finais, Arménio Carlos mostrou-se satisfeito por ter havido uma “resposta muito firme às necessidades”, dado o número de manifestantes presentes e, questionado sobre o impacto da greve geral, assegurou que esta é “uma questão para ser colocada ao Governo e que este deveria ter sensatez e sensibilidade”.

Artigo corrigido às 02h57.