Investigadores da UC desenvolvem estudo para ferramenta de avaliação psicológica em contexto forense

Quinta, 19 de Janeiro de 2012

por Catarina Gomes

A nova ferramenta servirá para medir a sugestionabilidade interrogativa, importante para uma maior precisão dos interrogatórios judiciais. A ferramenta, já existente em vários países da Europa, está agora a ser desenvolvida na Universidade de Coimbra

A vulnerabilidade à pressão pode muitas vezes afetar o depoimento de uma testemunha em contexto de inquérito judicial. Ao contrário do que se verifica em outros países da Europa, Portugal não tinha, até agora, nenhuma ferramenta que possibilitasse uma avaliação mais fundamentada dos testemunhos em contextos forenses. 

Uma equipa de investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC), coordenada por Salomé Pinho, está a desenvolver um conjunto de estudos parcelares a fim de colmatar esta ausência. “O objetivo é evitar a ocorrência de distorções do relato do acontecimento devido a perguntas sugestivas e pressão interrogativa”, explica Salomé Pinho. “É importante dispor de instrumentos de avaliação adequados à população portuguesa e saber o modo como este tipo de sugestionabilidade é influenciada por diversos fatores”.

Este instrumento é muito pertinente para uma tomada de decisão, quando estão em jogo valores como a liberdade, ou a privação dela, ou casos em casos de tutela de menores. “Se uma testemunha é vulnerável à pressão interrogativa e não forem acauteladas determinadas condições, o depoimento poderá ser questionável”, continua a coordenadora.

Dos grupos já estudados – crianças, adultos jovens, adolescentes delinquentes e mulheres vítimas de violência conjugal – concluiu-se que, de forma geral, os indivíduos reincidentes revelam-se menos sugestionáveis e as mulheres vitimas de violência são menos sugestionáveis que as mulheres não vitimas. Já as crianças mais velhas mostraram ser menos influenciáveis que as mais novas. O próximo estudo irá centrar-se na comunidade reclusa.