Internet e Wikileaks nomeados para Nobel da Paz
Terça, 28 de Junho de 2011
por Acabra .Net
Na corrida à paz deste ano, o prémio criado por Alfred Nobel nomeia a maior rede global de comunicação e o denunciador dos segredos de Estado. Por Maria Garrido
“O Prémio Nobel deve destacar o esforço de um determinado ator para a promoção da paz”. Quem o diz é o professor de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), André Barrinha, sobre a nomeação dos dois atores coletivos, Internet e Wikileaks, ao prémio Nobel da Paz de 2011. Defende que, se por um lado é “possível salientar o esforço e contributo de um indivíduo, por outro é preciso considerar o esforço de toda uma organização”.
Com a plataforma de Assange, proposta por um deputado norueguês que a considerou um meio para denunciar "a corrupção, os crimes de guerra e a tortura", surgem também indicados os três homens considerados os criadores da Internet – os americanos Larry Roberts e Vint Cerf e o britânico Tim Berners-Lee. Não será então a primeira vez que entidades coletivas concorrem a este prémio.
Entender a nomeação
“A Wikileaks terá maior legitimidade para ser nomeada que algo tão geral como a Internet”, entende o professor. André Barrinha não sabe, no entanto, “até que ponto poderá, de facto, contribuir para a paz internacional”, lembrando que “em certos casos o seu contributo pode até ir em sentido contrário” a partir do momento em que “políticos e diplomatas passaram a ter maior receio em comunicar, em partilhar informação”, o que é considerado “por regra, negativo”.
Quanto à Internet, se por um lado André Barrinha a considera um instrumento “vago”, capaz tanto de “promover a paz, a democracia e os direitos humanos, como o ódio e a mentira”, por outro encontra na Wikileaks uma nomeação “politicamente mais sensível” onde se pode entender o contributo para uma “maior transparência na política internacional” e “um esforço e uma vontade de trabalhar no sentido de uma causa - o informar a opinião pública mundial dos meandros das relações internacionais - que obviamente não existe com a Internet”. Barrinha lembra ainda a atual situação do Médio Oriente para constatar que faria “mais sentido premiar as redes sociais do que propriamente a Internet”.
Por sua vez, o sociólogo e também professor da FEUC, Elísio Estanque, refere, em relação à Wikileaks, que “algumas das revelações certamente terão contribuído não só para o esclarecimento dos cidadãos, como eventualmente até para evitar decisões catastróficas”.
A Wikileaks e a Internet concorrem numa lista de 241 nomeados, onde 188 são pessoas e 53 são organizações. Face a isto, Elísio Estanque acredita que não se justifica que estas entidades ganhem o prémio: “estamos a falar apenas em termos de nomeações ou candidaturas”. Para o sociólogo “haverá certamente a outras figuras mais relevantes em termos de ações e do seu contributo para a paz”. Também André Barrinha, apesar de considerar legítima a nomeação das duas entidades, acredita que pelo facto de concorrerem “numa lista de mais de 200 candidatos” ambas possam ser “dispensáveis”. A medalha de ouro com a esfinge do seu criador, Alfred Nobel, será entregue, como todos os anos, no dia 10 de dezembro.






