Histórias de água aos quadradinhos
Sábado, 24 de Julho de 2010
por Rafaela Carvalho
A Banda Desenhada e a forma como Hugo Pratt, François Bourgeon e Miguelanxo Prado pintaram a água nas suas histórias foram os temas da conferência "Desenhar a água" dada ontem, 23, por João Miguel Lameiras no Festival das Artes
A água é o elemento comum que une algumas das mais famosas obras de Hugo Pratt, François Bourgeon e Miguelanxo Prado e a razão pela qual João Miguel Lameiras, especialista em banda-desenhada (BD) se deslocou esta noite, 23, à sala Aqua do Hotel Quinta da Lágrimas para a conferência "Desenhar a Água".
Numa abordagem superficial, mas atenta, das diversas obras deste autores, João Miguel Lameiras mostrou a forma como a água, e principalmente o mar, marcam as narrativas dos três artistas.
João Miguel Lameiras iniciou a sua apresentação com a obra de Hugo Pratt que é, na sua opinião, um "exímio aguarelista que para além de desenhar a água, pintava também muito bem com água e ía buscar muita da sua inspiração à literatura de viagens". O especialista em BD focou essencialmente as aventuras de Colto Maltese, "um capitão sem navio", referindo como a água é um dos elementos mais presentes nas BD's de Hugo Pratt, as quais são também marcadas por referências subtis à origem veneziana do autor.
"Gosto de olhar para a água porque seja qual for o seu percurso volta sempre ao mar". Esta é uma das passagens de um dos livros que integram a saga "Os viajantes no Vento" de François Bourgeon e mais uma prova da presença constante deste elemento na obra do artista. Nesta saga, a água surge, muitas vezes, como metáfora para conceitos abstractos como a felicidade ou a morte.
João Miguel Lameiras terminou a palestra com a exploração de algumas obras do autor espanhol Miguelanxo Prado que tem patente até domingo,1, a exposição "Do mar profundo" no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
O especialista em BD recomendou ainda o trabalho de Emmanuel Guibert que pode ser visto no vídeo seguinte:






