Figurinos repletos de cor
Sexta, 17 de Junho de 2011
por Acabra .Net
Na Tabacaria da OMT, na tarde de ontem, A Cabra esteve à conversa com Patrícia Mota, a figurinista de “Coimbra 1111”. Cores, história e simbolismo são fatores patentes nos figurinos da peça, desvenda Patrícia. Por Ana Duarte e Ana Morais
“É um trabalho feito em simultâneo, entre a escrita, a encenação e o desenho, diz Patrícia Mota acerca do seu trabalho. Para criar os figurinos, Patrícia tem que acompanhar o processo de construção do texto e de encenação: “a minha pesquisa e criatividade são importantes, mas o que acabo por ter mais em conta é o processo de encenação”.
Patrícia apresenta-se como freelancer. Mas, os seus trabalhos na Oficina Municipal do Teatro (OMT) já remontam a 2008, com a peça “Cabaret da Santa”. Quanto à experiência concreta de “Coimbra 1111”, a figurinista apelida-a de “atípica”, uma vez que no espetáculo de rua “tem que haver um tratamento diferente”. Relativamente ao processo de construção dos figurinos, Patrícia explica que primeiro os desenhos são feitos por ela – espaço onde pode soltar a sua criatividade. Depois, há um processo de acompanhamento com os aderecistas e costureiras. Nesta peça, também as companhias de teatro amador contribuem com o seu acervo: “mostram sempre grande vontade de ajudar”, conta Patrícia.
A trabalhar nas roupas da peça há quase dois meses, a figurinista revela que o aspeto principal que guiou a sua produção foi a cor. Cada quadro da peça será associada a uma cor. Essa escolha não é ao acaso, pois assenta em características das personagens em cena: cores quentes ao estilo dos árabes, tons verdes e castanhos ao jeito saudosista, azul e branco a lembrar a anterior bandeira portuguesa. Já a trupe de atores miseráveis será marcada pela não cor (tons de areia, creme, beges). Patrícia explica que os atores vão absorver as cores dos outros elementos na peça, uma vez que “é isso mesmo que os atores fazem, absorvem as experiências dos outros”, explica.
Como “Coimbra 1111” é um projeto que junta vários tempos históricos, Patrícia refere que a ideia dos figurinos “não tem muito em conta as datas”, sendo que um dos objetivos da encenação é “passar a própria ficção típica do espetáculo”. A uma semana da estreia, a figurinista revela que o tempo escasseia e confessa que “o maior receio é não ter tempo para o pormenor”, fator de que tanto gosta de ter em conta.






