FCTUC recebe VII Conferência Europeia de Redes de Sensores sem Fios

Quarta, 17 de Fevereiro de 2010

por Vasco Batista

De hoje, 17, até à próxima sexta-feira, 19, vão estar em Coimbra cerca de 150 cientistas e empresários de todo o mundo para discutir a importância de uma das tecnologias inovadoras do século XXI: as redes de sensores sem fios

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O evento organizado pela FCTUC vai contar com 150 participantes oriundos dos Estados Unidos da América, China, Japão e Austrália Foto por D.R.

Durante três dias Coimbra abre as portas a investigadores mundiais e recebe a VII Conferência Europeia de Redes de Sensores sem Fios, um dos mais importantes eventos do mundo na área.

Até sexta-feira, 19, cerca de 150 investigadores, empresários e peritos em redes de computadores dos diferentes quadrantes geográficos vão estar reunidos na Universidade de Coimbra (UC) para discutir quais os desafios e as limitações das redes de sensores sem fios na próxima década.

A conferência organizada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), através do Laboratório de Comunicações e Telemática, pretende deste modo “juntar membros da comunidade de redes de sensores sem fios vindos do mundo académico e da indústria, para trocar experiência e ideias e discutir tópicos do estado da arte”, tal como explica um dos responsáveis da organização, Jorge Sá Silva.

O também docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC esclarece ainda que outro dos objectivos passa por “dar mais evidência a esta importante área do conhecimento, enquanto tecnologia com fortes impactos sociais e económicos”.

Na verdade, apesar de já ter sido considerada uma das tecnologias do século XXI e à qual estão associadas inúmeras potencialidades, “trata-se de uma tecnologia nova e por ser recente e ter algumas limitações”, não é utilizada em larga escala, segundo revela o docente da FCTUC.

Esta nova tecnologia de baixo custo tem uma ampla aplicação: desde os “sistemas de monitorização de pacientes ou em cirurgias” na Medicina, à detecção “de sismos e terramotos no campo de segurança”, incluindo ainda a capacidade “para detectar incêndios e para medir níveis de poluição”, elucida o docente, que conclui que se trata de  “uma tecnologia aplicada a tudo”.

Apesar do seu “potencial enorme” e de substituir dentro em breve “muita tecnologia que se usa com uma redução efectiva dos custos”, o investigador diz que esta tecnologia ainda se reveste de algumas limitações. Destas destaca a fiabilidade, a mobilidade, a segurança e a confidencialidade, que só há pouco tempo é que começou a ser trabalhada por equipas de investigação, nomeadamente por parte do Centro de Informática e Sistemas da UC.

Mas não são estas falhas que justificam apenas a ainda escassa utilização das redes de sensores sem fios. O docente da FCTUC conta que “ainda existe uma certa distância entre as empresas e os cientistas desta área de conhecimento”.

Jorge Sá Silva pretende quebrar com esse afastamento e está aliás a coordenar um projecto europeu, com universidades parceiras da Alemanha, Irlanda, Reino Unido e Chipre, e que pretende testar os sistemas de redes sem fios na refinaria da Galp em Sines. Quer demonstrar à comunidade científica as reais vantagens da utilização da tecnologia.

“Na refinaria nada pode falhar. Estamos a avaliar e a comparar soluções de sensores sem fios com as convencionais”, adiantou Jorge Sá Silva

No evento que começa hoje pelas 9 horas vai estar também presente Matt Welsh, um cientista prestigiado da Universidade de Harvard que tem trabalhado a aplicação desta tecnologia na Medicina.