Falta de edição de textos dramáticos marca mesa-redonda
Quinta, 24 de Junho de 2010
por Camilo Soldado
O segundo dia do IV Festival das Companhias abriu com uma mesa-redonda sobre a “Edição teatral e dramaturgia contemporânea em Portugal” na Livraria Almedina Estádio
Às seis da tarde, uma plateia de cerca de vinte e cinco pessoas – composta essencialmente por pessoas ligadas ao teatro – assistia ao início do segundo dia do IV Festival das Companhias. A mesa-redonda, moderada por Helena Simões, contou com a presença do renomado dramaturgo português, Armando Nascimento Rosa e da multifacetada Regina Guimarães (com trabalhos na área da poesia, dramaturgia, teatro, tradução, entre outros).
Regina Guimarães, que entrou no mundo do teatro através de uma contribuição para a Companhia de Teatro de Braga, começou por salientar o facto de a mesa-redonda estar a decorrer numa livraria generalista e “não estar ali apenas um livro meu à venda”. A autora diz ser “uma honra não ser publicada em Portugal, tendo em conta o panorama editorial”.
Numa sessão em que as críticas aos apoios do Estado português e ao trabalho das editoras na área do texto dramático se faziam adivinhar, Armando Nascimento Rosa – cuja “desonra é ter algumas obras publicadas em editoras”, ironiza – afirma que, em Portugal, “as editoras dificilmente apostam num texto dramático” e isso apenas acontece mais frequentemente a “quem tem apoios institucionais ou ganha prémios literários”, como foi o seu caso.
Nas duas horas que durou a conversa, para além da discussão do papel das editoras na publicação dos textos dramáticos, houve ainda tempo para a contribuição da plateia para a mesa redonda. Regina Guimarães sustenta ainda que “não existe uma definição possível do trabalho do dramaturgista” e, numa clara mensagem a quem faz críticas em Portugal, remeteu para George Steiner a questão da “prostituição intelectual” na recensão crítica literária nacional.






