“Eu saí-lhes um osso mais duro do que estavam à espera”

Sábado, 24 de Julho de 2010

por Camilo Soldado

No discurso de apresentação do seu novo livro “Um Combate Desigual”, que decorreu na em Coimbra na passada quarta, 21, o Bastonário da Ordem dos Advogados (OA) António Marinho Pinto não deixou de tocar em todos os pontos que o tornaram uma figura polémica na sociedade portuguesa

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Bastonário da Ordem dos Advogados lançou novo livro em Coimbra Foto por D.R.

Enquanto José Borges Pinto, colega e amigo de Marinho Pinto, apresentava o Bastonário e a sua história, já entre os presentes passava a lista pública de apoio à recandidatura de Marinho Pinto à OA. Borges Pinto afirmou na sua introdução que “a forma como ele [Marinho Pinto] diz as palavras é terrível, é certeira”. 

Para fazer jus à introdução, o Bastonário da OA não se furtou a explicar todos os ”combates” retratados no livro. Igual a si mesmo, começou por realçar que “o seu estilo é utilizar as palavras correctas para dizer a verdade”. “Há colegas com muito melhor estilo, só que ficam calados”, acusou.

Marinho Pinto explicou a realidade que teve que enfrentar na OA quando foi eleito, os problemas com a ASAE, a relação difícil com alguns órgãos de comunicação social e os problemas que o processo de Bolonha – que apelidou de “fraude” – trouxe à advocacia.

“O objectivo era deitar-me abaixo em seis meses”

O Bastonário da Ordem dos Advogados afirmou mais uma vez o “combate” que teve que travar para se manter à frente da Ordem. “O objectivo era deitar-me abaixo em seis meses”, disse após explicar que lhe “vasculharam os talões do restaurante, a declaração de rendimentos” ou o trabalho em Macau que exerceu durante mais de vinte anos.

“Podíamos ter feito mais não fossem os contínuos ataques”, afirmou Marinho Pinto ao justificar uma recandidatura ao segundo mandato. “Tudo isto não abrandou porque eu saí-lhes um osso mais duro do que estavam à espera” referiu ainda.

Combater a Massificação da Profissão

Na ordem do dia está também o assunto dos exames de acesso à Ordem dos Advogados e a sua elevada taxa de reprovações. Marinho Pinto justificou a situação como uma forma de combater a massificação da profissão.
“Portugal tem um advogado por 350 habitantes. Um número de profissionais superior à necessidade vai contribuir para a degradação da profissão”. Ao dizer isto, António Marinho Pinto apontou o dedo ao processo de Bolonha e o seu consequente menor número de anos de formação mas também ao Estado português que acusou de “falta de ética e regulação”.

O Bastonário revelou-se ainda “curioso” em relação às eleições para a Ordem dos Advogados em Novembro.