Estudantes ponderam apresentar queixa ao Provedor da Justiça
Segunda, 21 de Junho de 2010
por Vasco Batista
O decreto-lei que prevê alterações nas regras de atribuição de bolsas de estudo deverá entrar em vigor já em Agosto. Os estudantes do Ensino Superior contestam o documento e admitem avançar com uma queixa junto do Provedor da Justiça, Alfredo Sousa
Reunidas no Encontro Nacional de Académicas, dez estruturas associativas do Ensino Superior manifestaram o seu desagrado com o documento legislativo, acentuando que as novas regras “penalizam” os estudantes em piores situações socioeconómicas.
De acordo com o comunicado conjunto que saiu do encontro, as associações académicas presentes consideram que o Governo está a ter uma atitude de “verdadeira desonestidade política”. Dizem assim haver um paradoxo, já que o Governo “havia anunciado um aumento de 16 milhões de euros para a Acção Social Escolar”, mas, com as novas regras, vão ser “penalizados os estudantes em situação mais frágil e que necessitam de um maior apoio”.
Governo terá desrespeitado as normas previstas
Os representantes dos estudantes do Ensino Superior acusam também o Governo de não ter cumprido o processo legislativo legalmente previsto na aprovação do decreto-lei. O procedimento, refere o comunicado, passaria por realizar “audições obrigatórias do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores e Politécnicos (CCISP), do Conselho Coordenador do Ensino Superior”e, também, das “associações académicas de estudantes”.
O desagrado motivou a decisão em solicitar uma audiência de carácter urgente com Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, e também com o presidente da Comissão de Educação e Ciência, Luíz Fagundes Duarte.
Alteração no conceito de agregado familiar e levantamento do sigilio bancário entre as contestações
A principal contestação ao decreto-lei prende-se com a alteração do conceito de agregado familiar. O novo documento prevê a ponderação de cada elemento no apuramento da capitação dos rendimentos do agregado familiar. Este passa a ter em conta os rendimentos ilíquidos do trabalho dependente, em vez dos rendimentos anuais líquidos. O levantamento do sigilo bancário é também outra das queixas.
As dez associações académicas presentes no encontro foram a Associação Académica de Coimbra, as associações das universidades do Algarve, de Aveiro, da Beira Interior, de Lisboa, de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, a Federação Académica do Porto e também a Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico.






