“Estamos sempre a experimentar”

Domingo, 27 de Junho de 2010

por Inês Silva

Em mais uma iniciativa do Festival das Companhias, os representantes dos grupos de teatro que participam no festival reuniram ontem, 26, para partilhar dificuldades e debater estratégias de comunicação entre os seus grupos e os diferentes públicos

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O debate reuniu representantes das várias companhias Foto por Maria Eduarda Eloy

O penúltimo dia do Festival das Companhias iniciou-se sob o mote “as companhias e os seus públicos: estratégias de comunicação e de circulação de espectáculos”, no que o programador cultural da Escola da Noite, Pedro Rodrigues, descreveu ser uma  “sessão de troca de experiência entre os diversos elementos das companhias”.

Os elementos representativos dos grupos teatrais da Plataforma das Companhias reuniram-se para “avaliar a forma como o nosso trabalho está a ser desenvolvido e os problemas” e para discutir “a forma como ele é recebido pelo público e as estratégias que adoptamos para isso”, referiu ainda.

Apesar de provenientes de todo o país e de cada uma tentar encontrar soluções adequadas aos seus diferentes problemas, as companhias que reuniram debatem-se com problemas comuns. Estiveram em cima da mesa, como pontos fulcrais do debate, os problemas de divulgação com que as companhias se deparam ao nível da divulgação dos seus espectáculos – quer feita pela imprensa quer pela publicidade e iniciativas dos grupos para uma mais eficiente captação de públicos.

Descontentamento face à imprensa 

A imprensa é um veículo mais fraco na divulgação das iniciativas das companhias. “A situação dos jornais é terrível”, refere a assessora de imprensa da Escola da Noite, Isabel Campante. Um dos representantes do CENDREV, Víctor Zambujo, é da opinião de que esta situação “tem que ver com as lógicas de qualidade de gestão dos órgãos de comunicação”.

“Quando vamos a Lisboa, de repente percebemos que a imprensa existe” reforça Paula Teixeira, a assessora de imprensa do Teatro do Montemuro – companhia que aposta na itinerância – deixando subentender o problema da polarização da indústria cultural. “Estamos perante um desinteresse cabal das nossas actividades”, lamenta.

As novas “vias de comunicação”

A visibilidade e passagem da informação são efectivamente facilitados pelas redes sociais que a internet disponibiliza nos nossos dias. “A sociedade de hoje está constantemente saturada de informação”, sublinha José Russo, também representante do CENDREV. “Temos tantos meios hoje em dia. A questão é que temos de os usar a todos!”

“O Facebook é um universo atroz” segundo Paula Teixeira. Isabel Campante reitera, afirmando não só que esta rede é “o boca-a-boca” dos nossos dias, mas também que a publicidade nas redes sociais e na internet se torna mais eficaz e rentável.

Outros meios publicitários são referidos como forma de promoção do trabalho das companhias. José Russo aponta, por exemplo, as caixas multibanco como um meio de “proliferação incrível, mais eficaz que os anúncios dos jornais”. “São instrumentos que têm ajudado a dinamizar o processo da relação com o público ou com os públicos”, completa o responsável do CENDREV.

Os públicos do teatro

O Teatro do Montemuro encontrou ainda um espaço para uma colaboração anual com escolas. “Este wokshop foi o factor de atracção para os professores”, explica ainda a assessora do Teatro do Montemuro.

“Também acontece professores irem ver o nosso espectáculo e depois levarem os alunos”, revela Victor Zambujo, frisando a importância da sensibilização dos professores das escolas. O responsável dá relevo à importância da formação do público juvenil, “porque esse é o nosso futuro público”. José Russo concorda, afirmando que “o ideal seria que o teatro fosse obrigatório”.

A assessora de imprensa da Escola da Noite explicita que a área de intervenção da companhia “é imensa” mas lamenta a constante "resistência". “Estamos sempre a experimentar”, referindo-se aos meios diversificados que as companhias utilizam quando deparadas com a dificuldade na captação de públicos. Perante este cenário, Isabel Campante preconiza uma acção através “das novas maneiras como as pessoas se relacionam com a informação” - tema que, aliás, marcou este debate. A tertúlia revelou ainda que, um pouco por todo o país, estas companhias se debatem por um futuro sustentável para o teatro em português.