Espaço privado tornado público
Segunda, 01 de Março de 2010
A exposição "A Casa Pública" encontra-se aberta a todos no Colégio das Artes até dia 19 de Março
A exposição “A Casa Pública” foi inaugurada hoje, 1, no Colégio das Artes, pelas 18h00. O certame, organizado pelo Departamento de Arquitectura (Darq) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, surge no âmbito da XII Semana Cultural, subordinada ao tema “Causa Pública”.
No espaço do Darq, alunos de disciplinas transversais aos cursos de Design e Multimédia e Arquitectura expõem até 19 de Março obras que reflectem visões pessoais do espaço privado tornado público.
António Olaio, um dos coordenadores da exposição, afirma que “esta exposição tem uma presença mais plural” do que outras mostras organizadas no Darq.
O pró-reitor, José António Bandeirinha, anunciou, durante o discurso inaugural, que “as respostas do departamento de arquitectura acertam em pleno no que foi o mote para o debate” da XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra.
A mostra explora como é que a casa, “um símbolo do espaço privado, pode ser tornado público”, rematou.
O individual funde-se com o colectivo
Os cubos personalizados que se combinam como pixéis para compor o título da exposição foram, nas palavras de Olaio, “a resposta dos professores e alunos [do departamento], que pensaram ser uma intervenção interessante na ideia que as pessoas fazem do design”.
Ao mesmo tempo cada cubo é “uma obra de arte” e “joga na ambiguidade de o design dar o título da exposição”, acrescenta. Para o coordenador, “a maior causa pública é uma sociedade em que cada um se sinta bem nela”, ideia traduzida pelas visões pessoais dos alunos expressas em cada cubo. A identidade, as redes sociais, as preocupações do quotidiano, a tecnologia, entre vários outros temas, são exploradas em termos plásticos nesta exposição.
António Olaio revela ainda que as obras de vídeo arte que são reproduzidas durante a apresentação são também trabalhos de alunos que “partiram sobretudo da ideia entre o corpo e o corpo-máquina, o corpo-construção” e que as formas de corpos com silhuetas traçadas a vermelho jogam com a “ambiguidade entre o indivíduo e a cidade e o individual a incluir o colectivo”. São “percursos que podem ser circulação sanguínea, mas também podem ser estradas, ruas” e como em toda a exposição contrapõem-se as “escalas entre o espaço urbano e o espaço individual”, conclui.
Inauguração com presença musical
O violista e compositor, José Valente, actuou a solo na abertura da exposição.
O público pôde apreciar obras variadas, como a interpretação do original “Cafuné”, mas também o jazz de “My Funny Valentine” e “Muda de Vida” de Carlos Paredes. O concerto teve início na sala da mostra, mas José Valente conduziu o público até à capela do Colégio das Artes onde decorreu a maior parte da exibição. António Olaio define esta transição como o simbolismo da passagem “de um espaço público para um espaço que é íntimo mas é público também”.
O coordenador da exposição explica ainda que “em termos cénicos faz sentido o José Valente tocar sozinho”, apesar de integrar também o projecto Experiência Internacional, porque “o tema da semana cultural é causa pública mas o dominante é o individual na própria programação”.






