E agora PSD? Mãos à Obra

Terça, 14 de Junho de 2011

por Acabra .Net

"Na distribuição dos sacrifícios, que aí vem, não pode haver vacas sagradas. Digo isto com sinceridade, convicção e sem nenhuma demagogia. É pedir muito?". Por José Belo, jurista


Estou a escrever logo a seguir a saber os resultados das últimas eleições para a Assembleia da República. Com eles está feita a clarificação política.

Os portugueses disseram o que queriam e o que não queriam. Condenaram a opção irresponsável do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda ao diabolizarem a ‘troika’ e o seu acordo. Premiaram o Partido Social Democrata (PSD), que não teve receio de se apresentar com um programa de governo, que marcou a agenda política durante a campanha. E disseram, também, que o Centro Democrático Social (CDS) irá ser a “muleta” no poder, penalizando, contudo, o voluntarismo eleitoral do seu líder, Paulo Portas, que “contou” votos antes do tempo. 

No meio dos comentários sobre as eleições dei por mim a pensar que os militantes do PSD só têm hoje para festejar. Amanhã é outro dia. É o primeiro de uma caminhada dura e muito responsabilizante.

Ganhou o PSD. Com o CDS faz maioria absoluta. Os dois partidos cresceram em conjunto e o CDS já se disponibilizou para integrar o novo governo. Há condições, por isso, para começar a atacar os múltiplos problemas que temos pela frente. É tempo de agir. Com os melhores.

Não importa se o gato é preto ou branco, é preciso é que saiba caçar bem. Sem ‘boys’ nem ‘girls’, sem bancários travestidos de banqueiros políticos. Com gente escorreita, competente e a saber servir o país. Os seus interesses globais têm que estar à frente de quaisquer “fulanizações”, corporações e coisas parecidas. As exigências e responsabilidades assumidas com a ‘troika’ não permitem olhar para o lado, para o que não seja fundamental.

Ontem, que já passou, Sócrates teve a primeira derrota de um primeiro-ministro eleito que foi a votos. Foi uma derrota de um homem, que não foi competente no que fazia. Mas o Partido Socialista (PS) está vivo, refém de algumas indefinições internas resultantes da sucessão de Sócrates, é verdade, mas vai ter um papel fundamental nestes quatro anos de legislatura. Irá fazer a sua travessia do deserto e pôr o passado recente no baú das suas más recordações.Claro.

Mas o futuro do país, a sua crise económico-financeira só será ultrapassada com um PS patriótico, à medida da sua história, que tenha sentido de culpabilidade relativamente ao estado a que levou o país. Mas, não se duvide, há muitas soluções parlamentares, de fundo, que passam por ele e pelo seu sentido de co-responsabilização.
A exigência e fiscalização pelo PS dos actos do próximo governo é desafiante e saudável para o próprio sistema democrático mas, também, será muito importante o seu sentido de responsabilidade ao saber honrar e respeitar a assinatura que firmou no acordo com a ‘troika’, bem como as gravosas medidas que nele constam
Todos estão à espera que o novo PS não assuma uma posição defensiva em tudo o que sejam questões relacionadas com o acordo celebrado por ele próprio com a ‘troika’.

Fazê-lo não seria sério, ética e politicamente. Os três partidos – PSD, PS e CDS -  estão umbilicalmente ligados e nenhum deles pode assobiar para o lado. É o nome de Portugal e a sua credibilidade que estão em jogo.


Pedagogia da Verdade
Agora é preciso inventar meios para honrar os acordos. Porém, no meio desta gigantesca tarefa tem que sobrar espaço para sanear as finanças públicas, gerar crescimento, atacar o desemprego e pensar nos mais frágeis, socialmente. Sem desculpas artificiais…

Estamos cansados do permanente discurso da desresponsabilização. Não há pachorra para mais do mesmo… A partir da tomada de posse do governo é este que é responsável pela “gestão” do país, pese embora a pesadíssima herança que recebeu.

O novo governo, feitas as diligências para a sua constituição e cumpridos os prazos mínimos, só tem que arrumar a casa e governar bem Portugal, restaurando a confiança dos portugueses através de uma pedagogia de verdade. E cumprir com o prometido: mais transparência, extinção de empresas públicas e fundações desnecessárias, eliminação da gordura supérflua no Estado e tudo o mais que foi dizendo ao longo da campanha…

Sem esquecer que na distribuição dos sacrifícios, que aí vêm, não pode haver vacas sagradas. Digo isto com sinceridade, convicção e sem nenhuma demagogia.

É pedir muito? 

Foi para isso que se deu a palavra ao povo, através do voto, nesta hora de emergência nacional. Foi para isso que foi eleito um novo governo, que tem que saber transformar uma vitória do PSD numa vitória de Portugal e dos seus jovens, que são o seu futuro

Mãos à obra, que não há tempo a perder.