Do Sonho…

Terça, 13 de Julho de 2010

por Acabra .Net

“Fará sentido que a Associação Académica de Coimbra (AAC), instituição secular, motor do movimento associativo nacional e referência na prática desportiva afigurando-se como um dos clubes mais ecléticos do país, nunca ter organizado uma grande competição desportiva internacional?” Por Ricardo Duarte, presidente do Comité Organizador do EUC TENNIS 2010

Foi assim que surgiu a candidatura da AAC e da Universidade de Coimbra à organização do Campeonato Europeu Universitário de Ténis (EUC TENNIS 2010).
Mesmo sem certezas sobre a vitória da candidatura Portuguesa quando submetida à  EUSA (European Universities Sports Association), cedo se percebeu que este tipo de Organizações seria uma oportunidade única para o desenvolvimento do desporto universitário em Coimbra e para a afirmação internacional do Desporto da AAC.
Apresentou-se uma candidatura que em todos os parâmetros suplantava os requisitos mínimos internacionais, sendo regida por parâmetros de qualidade jamais vistos neste tipo de competição, honrando assim o historial de Organizações Internacionais bem sucedidas a que o nosso país sempre habituou a comunidade internacional.
Eram vários os objectivos a que nos propúnhamos:

- Trazer para Coimbra a primeira competição internacional do desporto Universitário, colocando a AAC na rota das organizações internacionais, algo de que estava arredada.

- Chamar a atenção para a necessidade de intervenção no Estádio Universitário, complexo de importância nuclear para o desenvolvimento da prática desportiva em Coimbra, e que se encontra num alto estado de degradação… Em suma: obsoleto.

- Desenvolver e massificar a prática do ténis na região centro, tendo como principal destinatário o estudante universitário

- Criar uma base sólida para futuras organizações internacionais em outras modalidades.

Foi assim que a AAC se afirmou internacionalmente frente a várias candidaturas de cidades europeias com historial de organizações, propondo-se a organizar o maior EUC TENNIS de sempre… E ganhou.
Passados quase dois anos, separam-nos cerca de duas semanas do inicio do maior evento desportivo do ano a realizar em Coimbra, afirmando-se também como um dos maiores que decorre em 2010 no nosso país.
De 25 a 31 de Julho, Coimbra recebe mais de duas centenas de atletas, constituindo 36 equipas oriundas de 16 países europeus.  

… À realidade

Um evento internacional desta dimensão necessita, claro está, de uma grande solidez financeira e de um amplo reconhecimento institucional. É bom relembrar que a candidatura Portuguesa contou com o apoio declarado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, Federação Portuguesa de Ténis, Reitoria da Universidade e Câmara Municipal de Coimbra. Já recentemente, foi declarado como evento de Utilidade Pública Nacional pelo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, e incluído nas comemorações oficiais do Centenário da República Portuguesa.
Afinal de contas, sempre foi uma das prioridades dos recentes Governos, a Organização no nosso país, de grandes eventos desportivos internacionais. Todas a entidades cedo se aperceberam da importância de um evento como estes, envolvendo-se afincadamente no apoio efectivo à Organização, tendo por objectivo o sucesso da competição. TODAS à excepção de uma...
Não é justo, nem muito menos estratégico que, o Ministério que tutela o Ensino Superior, se tivesse alheado por completo do apoio à competição, “chutando” para a Universidade de Coimbra a responsabilidade da intervenção infra-estrutural necessária à organização.
Foi certamente com estranheza que, durante estes últimos tempos, e à excepção de uma declaração escrita de apoio à candidatura, a única declaração pública do Ministério é a intenção de não intervir na urgente e necessária intervenção no Estádio Universitário.
Em Portugal, perdem-se anos em estudos comparativos com os modelos internacionais, modelos esses que, supostamente, importam as melhores práticas dos países anglo-saxónicos, que propagam o ideal da mobilidade mas que, quando aplicados no nosso país, esquecem a verdadeira razão de existir das Universidades: os Estudantes. Esquecem também que, dentro dos factores que motivam a excelência, não cabem apenas os laboratórios e as reformas curriculares, e que a prática desportiva é essencial à integração e motivação da comunidade universitária.
Será justo que, a Reitoria da Universidade de Coimbra tivesse de assumir por completo os custos da melhoria das infra-estruturas no Estádio Universitário?
Políticas à  parte, o EUC TENNIS é já um sucesso. Na edição de 2010, o campeonato terá a maior participação de sempre, apresentando infra-estruturas desportivas completamente novas mostrando a toda a Europa que estamos ao mais alto nível, no que a Organizações Internacionais Desportivas diz respeito.
Estou certo que, após o EUC TENNIS 2010, a AAC, a UC e a cidade saberão retirar dividendos da exposição internacional a que estarão sujeitas. Espero também que, no futuro, o EUC TENNIS represente uma pedrada no charco.
Afinal, é possível envolver todas as forças vivas da cidade em torno de um objectivo comum. O Comité Organizador do EUC TENNIS 2010 saberá estar à altura de honrar a história da AAC e mostrar o melhor que a cidade tem para oferecer.
Esperamos também sim que, no final de tudo, e à semelhança das várias instâncias europeias, seja reconhecido em Portugal, o esforço da AAC, da UC e da CMC, e se olhe definitivamente para Coimbra como uma oportunidade, um desafio e não como um problema.