DG quer levar os estudantes à baixa

Terça, 21 de Fevereiro de 2012

por Acabra .Net

Iniciado o programa da Semana “Zeca Afonso – O rosto da Utopia”, já se respira liberdade e contestação na praça do comércio onde está instalada a exposição discográfica do cantor que se eternizou, desaparecido há 25 anos. A AAC dá o seu contributo para que a memória não seja apagada. Por Daniela Proença

O legado que José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos deixou ao povo português não está esquecido e é exaltado neste período global tão desfavorável que nos mostra como a sua mensagem é intemporal. Numa existência recheada de arte e trabalho onde não faltou a luta política, comemora-se agora a vida de uma das vozes para sempre ligadas à revolução dos Cravos.

É chegada a vez de também Coimbra honrar um seu antigo passageiro graças à parceria estabelecida entre a AAC e a fundação José Afonso. A assinatura do protocolo de Cooperação decorreu ontem, 20, tal como a inauguração da exposição discográfica do artista, que pode ser visitada até domingo entre as 10 e as 20h num recanto da praça do comércio. Para além da exibição de cerca de 30 anos de obra discográfica, mais atividades de comemoração são esperadas na baixa conimbricense nesta que é a semana de Zeca Afonso, numa tentativa de dar igualmente vida a esta parte da cidade mais degradada.

Paulo Esperança, da direção da Associação José Afonso considera esta “é uma excelente oportunidade para todos os que não puderam, contactarem com a obra” do artista que não se fixou em Grândola mas conheceu o mundo, o país real e conheceu-se a si próprio ilustrando a nação. Nesta exposição podemos encontrar não só referências bibliográficas do próprio como das suas colaborações musicais e alguns apontamentos sobre por onde se movimentou na sua vida em concertos e documentários. Paulo Esperança realça ainda apreço pelo interesse demonstrado por parte da nova DG-AAC em celebrar a grande obra de Zeca Afonso, esperando que o “protocolo dê mais frutos”.

Com estas iniciativas a AAC pretende não apenas destacar a passagem de 25 anos sob a morte de Zeca Afonso, relembrar as comemorações de própria academia mas também despertar a abandonada baixa e abrir mentalidades para novas discussões de vertente política nacional como outrora, reafirmando a luta por igualdade e ensino gratuito universal, como forma de tratar a atual crise de valores.

Deste modo, a baixa recebe vida através dos que, mesmo mortos, continuam presentes.