Desportos radicais no Botânico ajudam à divulgação do jardim
Terça, 18 de Outubro de 2011
por Acabra .Net
O parque de arborismo e atividades radicais do Jardim Botânico apresenta-se como uma alternativa ao sedentarismo. Inserido na Mata do Jardim Botânico e apoiado pela Universidade de Coimbra, surge como forma de reabilitar um dos maiores espaços verdes da cidade. Por Juliana Maria e Fernando Sá Pessoa
Juliana Maria e Fernando Sá Pessoa
A mata do Jardim Botânico, fechada há vários anos, está agora a ser alvo de várias intervenções. A vice-reitora para as Relações Instituicionais, Helena Freitas, afirma que este é um "plano mais geral para dinamizar o Jardim e para o abrir à utilização do público em geral", integrado no projeto Requalificação das infraestruturas de apoio e divulgação da Ciência no Jardim Botânico da UC.
Do parque de arborismo beneficia a Mata, porque "é uma forma indireta de promover uma visita, mesmo que parcial, e mantém uma zona de três hectares gerida de forma mais permanente", explica a vice-reitora. Além disso, possibilita a prática de atividades desportivas e de lazer aos munícipes e turistas. Resultado de um contrato entre Helena Freitas e a responsável do Sky Garden, Helene Margolis, em que a reitoria concedeu três hectares da Mata para o efeito, pelo período de seis anos, renovável após esse tempo. Helena Freitas sustenta que "a UC não colocou um cêntimo no projeto. Os lucros estão consignados na venda de bilhetes – uma fração de cada bilhete vendido é para o Jardim". Para além do Sky Garden, a iniciativa contempla a reabilitação da estufa e a criação dos espaços "ciência" e "sementes", com o intuito de reavivar os dois terços do Botânico, esquecidos há muitos anos.
"Atividade física, mental e emocional"
"As pessoas estão nas alturas, fora do contexto normal", afirma Helene Margolis, a responsável do Sky Garden. O parque de arborismo afirma-se, assim, como escape ao stress da cidade. O espaço conta com vários percursos, onde os visitantes podem desfrutar de diversas atividades. Essas são do foro "físico, mental e emocional - uma pessoa pode estar muito bem preparada fisicamente, mas não estar tão apta ao nível emocional e não conseguir fazer todos os exercícios", diz a dirigente. E acrescenta que "é preciso parar para poder prosseguir".
O equilíbrio, a concentração e a agilidade são também requisitos importantes na realização dos seis percursos do parque. Contudo, se as pessoas caírem ou não conseguirem transpor um obstáculo, "não há problema, porque, como estão presas por um cabo, ficam suspensas", explica Maria João Portugal, monitora do parque. Acrescenta que "só sentindo é que as pessoas percebem o que isto é". Uma das vantagens mais concretas deste tipo de atividades é, como adianta a proprietária do negócio, o desenvolvimento dos músculos internos. "Muitas vezes, as pessoas estão tão tensas que só conseguem trabalhar com os braços e com as pernas mas, depois de relaxarem, acabam por descobrir músculos que nem sabiam que existiam", esclarece. No fundo, "o truque é estar relaxado e saber lidar com o medo". A monitora Sara Brás vai mais longe: "são esses músculos internos que nos dão o equilíbrio necessário para fazer as atividades".
Os percursos procuram igualmente fomentar as competências inter-relacionais: "reparamos que, quando vêm grupos grandes ou famílias, as pessoas acabam por se entre ajudar", porque estão sujeitas "a uma situação de ansiedade, de novidade e de medo", declara Sara Brás. "Com famílias é muito bom porque as dinâmicas mudam completamente", explicando que normalmente "os pais tentam ser um modelo para os filhos mas muitas vezes os filhos são bem mais ágeis que os pais". Apesar de associado à UC, Helene lamenta a fraca assiduidade dos estudantes no Sky Garden. Porém, congratula-se com a variedade de públicos que procura este tipo de diversão. "Tivemos, há pouco tempo, um senhor de 70 anos que veio acompanhar o neto". Às crianças estão contempladas alguns dos percursos. Num deles, a organização dá a conhecer "as espécies que existem no Jardim Botânico e, à medida que o vão fazendo, aparece o ninho do animal e a explicação", aclara Sara Brás.
São várias as atividades que se podem encontrar no parque de arborismo. Para além dos seis percursos diferentes com mais de 40 atividades, a organização destaca o ‘valley slide’, percurso onde se pode desfrutar de uma vista privilegiada para o rio Mondego durante mais de 200 metros em slide, e a queda livre, que consiste em saltar de uma plataforma com cerca de 13 metros. "À partida, todas as pessoas conseguem fazer tudo, mas podem desistir ou podem escolher não fazer mais a qualquer momento, se assim o entenderem", afirma a monitora. Durante o percurso existem três níveis – um iniciado, dois médios e dois avançados – que dependem da altura das plataformas em relação ao chão. "Quanto mais alto, mais difícil", esclarece Maria João.
Fazer do parque de arborismo um negócio
Embora resulte de uma associação entre a reitoria da UC e a força de vontade de Helene Margolis, a mentora do espaço fala da intenção em fazer dele a sua fonte de rendimentos, quando confessa que o objetivo é "expandir o negócio, mudar, introduzir coisas novas, caso o projeto continue a ser bem recebido". No entanto, desabafa que, "por estar profundamente envolvida neste projeto", não sabe se o conseguiria levar para a frente tratando-o "apenas do ponto de vista do negócio".
Os preços das atividades variam entre os 13 euros para crianças e os 17 para adultos. Contudo, estudantes e famílias beneficiam de preços especiais. Às atrações ‘valley slide’ e queda livre acresce o valor de 3 e 4 euros, respetivamente.






