Crime agrava a situação no Haiti
Sábado, 16 de Janeiro de 2010
por Jonathan Costa
Quatro dias após o sismo que devastou o Haiti, o crime e a violência dificultam a situação caótica enfrentada pelo país que será hoje, 16, visitado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton
Quatro dias depois do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter que abalou o Haiti, o país enfrenta agora uma crítica situação de segurança. Assaltos e roubos têm marcado a capital haitiana, Port-au-Prince.
Os EUA já manifestaram a sua preocupação com a vaga de crime e violência no Haiti, resultante do "desespero" da população, que "pode transformar-se em violência", alertou ontem, 15, o secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates.
Robert Gates acrescentou que a estabilidade da segurança no país depende da "rápida distribuição de água e comida", embora considere "aceitável" a situação vivida na capital haitiana.
O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou ontem que os haitianos "vão viver muitos dias difíceis".
Os EUA já anunciaram a deslocação, até ao início da próxima semana, de cerca de dez mil militares na tentativa de estabilizar a situação.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, visitará hoje, 16, Port-au-Prince. Também a vice-presidente espanhola, Maria Teresa Fernandez de la Vega, marcará presença na ilha.
Pilhagens e rixas recorrentes na capital haitiana
"Andam a pilhar tudo", revelou um habitante de Port-au-Prince, que descreveu ainda como jovens munidos de machados e catanas ameaçavam e retiravam às pessoas aquilo que tivessem consigo.
Os armazéns do Programa Alimentar Mundial (PAM) foram assaltados, contudo a dimensão do roubo foi bastante reduzida.
Actualmente, foram já confirmados 40 mil mortos, embora o governo considere que o número oficial possa ascender aos 100 mil mortos. O número de feridos ronda os 250 mil, enquanto mais de 1,5 milhões de pessoas ficaram desalojadas. Continuam ainda por encontrar milhares de pessoas.
O país enfrenta ainda um elevado risco de doenças infecciosas, avisaram as autoridades sanitárias, que se demonstram preocupadas com a possibilidade de diarreias e a propagação de doenças recorrentes na região, como a malária, a dengue e o sarampo.






