Continuam os ensaios de “Coimbra 1111”, desta vez, Ribeira de Frades
Quarta, 08 de Junho de 2011
por Acabra .Net
Outra noite de ensaios. Desta vez viajou-se até à freguesia de Ribeira de Frades juntamente com elementos d' O Celeiro e d' O Teatrão para o ensaio do Quadro III, Arco de Almedina, com o Teatro Amador de Ribeira de Frades. “É uma experiência gratificante poder trabalhar com profissionais”, conta o ator amador José Malhão. Por Catarina Gomes e Ana Morais
Numa sala grande onde perdura o eco, a voz que predomina é a da diretora artística Isabel Craveiro, a única capaz de reunir todos os atores no meio da sala. Alguns menos obedientes circulam e brincam pela sala com os guiões na mão antes de cederem ao apelo. Fazem-se as apresentações entre os grupos e a confiança entre os elementos desenvolve-se ao longo do exercício de aquecimento, altura em que as gargalhadas ressoam na sala.
“Isto assim é muito bonito e diferente, fora do nosso estilo de teatro”, afirma a atriz de Ribeira de Frades, Lídia Gil da Silva, 77 anos, ou “76+1” como a própria diz em tom de gracejo. Lídia assegura que apesar da idade não se sente cansada e que gosta de atuar e de fazer os cenários. De facto, o prazer com que todos os atores se entregam à peça é notório. A atriz Maria João confirma: “psicologicamente, quando estou aqui, não penso noutra coisa. É uma terapia”.
Depois do exercício de aquecimento, ensaiaram-se lutas em câmara lenta. A boa disposição reinava; não fosse o exercício, que tinha por objetivo treinar o equilíbrio e as expressões, permitir aos atores divertirem-se através do exagero dos movimentos. Posições de combate, pernas suspensas, punhos cerrados e rostos contraídos. Corpos em movimento lento que parecem flutuar. Novos e velhos combatem, mas este não é um combate de gerações, é de equilíbrio. Pedro, um dos atores d' O Teatrão, propõe que se treine a câmara lenta com som, os outros concordam.
O episódio ensaiado é o da entrada da companhia miserável de atores na cidade, através do Arco de Almedina. Os mouros seguem atrás, disfarçados. É necessária uma distração para lhes permitir a passagem. Alguns atores disfarçam-se de mulheres para seduzir os guardas. Mas nem tudo corre conforme planeado.
O Teatro Amador de Ribeira de Frades, registado há cerca de 30 anos, mas ativo há mais, apresenta peças regularmente e conta com uma forte participação da comunidade local. No entanto, a este grupo de graúdos faltam-lhe os miúdos. “Gostava que jovens da freguesia se juntassem mais ao teatro”, lamenta Lídia Gil da Silva. José Malhão mostra-se confiante para a estreia e afirma que “não há espaço para o falhanço, só pode ser um sucesso”. Mas é com a mesma pena de Lídia da Silva que acrescenta: “é pena a malta nova não aderir”.






