Comerciantes da Praça do Comércio querem expansão da sua venda

Quarta, 23 de Novembro de 2011

por Acabra .Net

Comerciantes de rua da Praça do Comércio vivem conjuntura difícil. Pedidos para venda noutros locais da cidade sem resposta podem ser a causa do número reduzido de vendas. Flávia Cid Nunes e Maria Rita Loio

Comercio
Os comerciantes querem voltar à rua Ferreira Borges, onde vendiam mais. Foto por Ana Patrícia Abreu

O comércio que há anos servia para animar as ruas da Baixa de Coimbra vê-se agora perdido nas entrelinhas das burocracias do poder local. Os raros transeuntes que cruzam a praça notam-se alheios ao colorido das barracas destes artesãos. Não se vê ninguém a parar, curioso para comprar. 

Em dias que não chova, o artesão Jorge Medina marca presença na praça com a sua banca de artigos artesanais. Na posse da sua licença de venda que faz questão de mostrar, sente-se no direito de protestar - “devia poder trabalhar em completa liberdade nos roteiros turísticos”, o artesão defende que este tipo de comércio devia ser feito também nos “locais históricos”. Jorge reivindica que também faz “parte dessa história”, o artesão queixa-se ainda dos parcos apoios dados pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e acusa os dirigentes locais de não “dignificar e promover o artesanato”.

Também a vendedora de bijutaria e artesanato, Maria Farag se queixa da falta de apoio dado pela CMC. Maria conta que há nove anos vendia as suas peças na Rua Ferreira Borges, é quando recorda estes momentos que é visível a sua indignação -  “lá ainda se vendia, aqui na Praça quase não passa ninguém”. A artesã revela que já tentaram diversas vezes pedir à CMC para voltar à Ferreira Borges, mas o pedido foi recusado.

O pintor de retratos e aguarelas, Anildo Santana, revela que o objetivo dos comerciantes “é voltar para a Ferreira Borges, mas a CMC não nos dá autorização”. Quando questionado sobre a existência de diálogo com a CMC, Anildo confessa que “com a CMC não há conversação possível”.

Pelo contrário, a responsável pelo Gabinete de Relação do Munícipe da CMC, Ana Malho afirma que “não tem conhecimento de nenhum pedido para venda noutros locais”. Ainda assim, revela que este tipo de comércio deve ser regulamentado e faz referência ao Regulamento de Venda Ambulante do Município de Coimbra, que define os locais em que a realização do comércio de rua é, ou não, permitida. Contudo, a responsável do gabinete concorda com a expansão dos vendedores para outras partes da cidade, o que permite “a dinamização de zonas não tão movimentadas”. Ana Malho adianta a informação de que novos regulamentos serão estipulados para o próximo ano, “por imposição da diretiva da comunidade europeia”. De acordo com a atual postura da CMC está o presidente da Agência para Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), Armindo Gaspar, que sublinha a necessidade de “haver critérios e regras” na venda ambulante da cidade.

A forte concorrência por parte do comércio chinês, também é uma questão que preocupa os artífices - “agora os chineses é que são donos de Coimbra”, protesta Maria. Jorge revela também que não tem condições “para competir com o material chinês” e faz questão de frisar que a qualidade dos materiais é diferente. “Preferia quantas vezes estar na Ferreira Borges. Aqui o negócio é muito fraco, tenho dias em que não vendo”, expõe Maria Farag e apela à CMC que reveja a situação dos artesãos. Jorge Medina atenta também para outro problema - “a CMC mistura a venda ambulante com o artesanato”, o que segundo o artesão são coisas “completamente diferentes e com estatutos diferentes”. Recorda que deve “haver uma maior preocupação do poder local em promover o trabalho dos artesãos”.

Luís Fernandes, proprietário de uma loja de antiguidades na Baixa de Coimbra. Manifesta a sua solidariedade com os artesãos e refere que é “urgente” resolver este problema. Luís afirma que a situação atual de “esconder os comerciantes num só local, não dignifica o espaço da cidade, nem as pessoas.”

Com reivindicações sem eco, é então que ao anoitecer se arrumam as bancas repletas de artigos que mais uma vez sobreviveram o dia, mirados por apenas um ou dois visitantes apressados, que na sua rotina diária atravessam a vazia Praça do Comércio, deixando os comerciantes a contas com as parcas moedas que lhes aconchegam os bolsos.

 
                                                                                                                                                                           com Ana Morais