Combustíveis mais caros em Portugal que na União Europeia

Terça, 03 de Maio de 2011

por Acabra .Net

Os combustíveis não param de subir em todo o globo, mas parece ser Portugal a pagar uma das faturas mais penalizadoras, registando preços superiores aos da União Europeia. Por Bruno Monterroso

Apesar dos preços dos combustíveis serem cada vez mais elevados um pouco pelo globo, em Portugal têm vindo a registar valores mais elevados que outros seus parceiros europeus. Com efeito, segundo a Direção de Energia do Ministério da Economia, em março de 2011 o preço do gasóleo em Portugal era superior ao preço da UE em 8,1 por cento e ao de Espanha em 3,9 por cento. Em relação à gasolina 95 o preço em Portugal também era superior ao da UE em 3,9 por cento e ao de Espanha em 0,15 por cento. Na opinião do economista Eugénio Rosa, este aumento global do preço dos combustíveis é essencialmente motivado pelo “aumento do seu consumo a nível mundial, determinado pelo crescimento económico de países como a China, Índia ou Brasil”, bem como por algumas “tensões internacionais” que fazem o seu preço oscilar. Contudo, o também sindicalista considera que, no caso do mercado de combustíveis português, uma das suas empresas, a Galp, possui “uma posição dominante e aproveita essa situação para impor sistematicamente preços mais elevados, obtendo assim lucros extraordinários”.

Quanto ao Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), António Comprido, considera a conjuntura internacional acima descrita como o principal motivo do aumento do preço deste tipo de produtos. Em relação ao mercado de combustíveis português, apesar de não o considerar “um mercado perfeito”, o responsável da APETRO acredita que nele “existe suficiente concorrência para que os consumidores possam estar descansados em relação a esse aspeto”, acrescentando que a Autoridade da Concorrência (AC) “nunca afirmou que houvesse pouca concorrência em Portugal”. Contudo, Eugénio Rosa discorda desta posição, considerando que a AC “não faz nada até porque está refém dos grupos económicos, publicando apenas estudos e dizendo que não pode fazer nada porque a lei não lhe permite”.

Quanto ao presidente da empresa de serviços petrolíferos PARTEX, José Costa e Silva, lembra que “o mercado fica sempre muito nervoso quando há uma rutura de produção”, acrescentando que se “aquando da instabilidade no Egito o preço do barril aumentou dois dólares e meio, assim que chegou à Líbia aumentou para mais de 15 dólares”. Porém, considera que os preços mais elevados no mercado português “têm a ver com a própria estrutura do mercado, a maior parte dele dominado por três companhias”. O dirigente considera que este “não é um mercado aberto, onde exista muita concorrência”, sendo que a que existe “é o que em Teoria Económica se chama concorrência monopolista”. O responsável da PARTEX considera ainda que este é “um caso em que o mercado foi liberalizado mas a maneira como foi feito afetou a sua estrutura de funcionamento”.