Com as mulheres chegam os problemas
Sexta, 05 de Março de 2010
por Inês Silva
Numa semana em que se eleva a Causa Pública, acontece um debate que é despoletado pelas diferenças de género existentes na arquitectura. “Mulheres na Arquitectura” foi o nome atribuído ao colóquio que pôs esta causa no centro e que aconteceu ao quarto dia da Semana Cultural, no anfiteatro do Museu da Ciência
“Os arquitectos falam constantemente de questões sociais, da interacção com outras disciplinas e saberes.” Quem o diz é Jorge Figueira, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (FCTUC), investigador do CES (Centro de Estudos Sociais) e coordenador deste evento. Uma das temáticas sociais que pode ser relacionada com a arquitectura é a questão do género, e foi este o tema tratado no colóquio “Mulheres na Arquitectura”.
Realizado no anfiteatro do Museu da Ciência, o colóquio proporcionou, durante algumas horas, o debate do papel da mulher na arquitectura - quer dentro da profissão e do mercado de trabalho, quer na influência física na “arte de arquitectar”. Mas existirá de facto uma maneira feminina de fazer arquitectura?
“Não creio que haja arquitectura de homens ou mulheres. Há arquitectura.” afirma Ana Tostões, docente do Instituto Superior Técnico (IST) e Presidente da Docomomo. Paulo Varela Gomes, docente da FCTUC e também membro do CES, reitera quando mostra dúvida quanto à existência de “uma arquitectura feminina ou masculina.” No entanto, prevalecem ainda diferenças de género dentro da profissão. Virgínia Ferreira, docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigadora do CES, declara que existe ainda “uma forte tipificação social na profissão”. “O que despoleta este debate são as relações de poder no acesso ao trabalho”, conta Ana Tostões.
Apesar dos inúmeros estereótipos que ainda prevalecem na profissão, Paulo Varela Gomes diz que “a fronteira de género, no Ocidente, vai-se diluindo.” Assim, o que acontece quando as mulheres começam a fazer e pensar a arquitectura? Diz Jorge Figueira que “há uma alteração de paradigmas. E a feminilidade caracteriza a prática da arquitectura nos últimos vinte anos”.
De assinalar também o lançamento da revista JOELHO e a abertura da exposição “Mulheres na Arquitectura – 13 casos”, que se prolonga até ao dia 21 de Março.






