Apontar ao intérprete enquanto criador

Quarta, 23 de Novembro de 2011

por Acabra .Net

Das treze propostas apresentadas, foi a de Rodrigo Santos que venceu o Concurso de Encenação do CITAC, que decorreu de 21 de setembro a 30 de outubro. Por Joana Cabral e Inês Filipe

Partindo das ambições, das preocupações, das ansiedades e das pulsões do grupo de atores, o projeto vencedor visa “criar textos originais”, conta Rodrigo Santos, natural de Palmilha Dentada, Porto, e vencedor do Concurso de Encenação do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC). A proposta de encenação foi sobretudo “apontar ao intérprete enquanto criador”. O conceito passa, assim, pela construção por parte do próprio corpo de atores do CITAC, sendo esta uma “proposta mais sensitiva que propriamente de história ou de teatro convencional”.

Segundo Margarida Cabral, membro integrante do CITAC, Rodrigo foi escolhido visto que o seu projeto procurava criar uma personagem do nada para depois a explorar. Margarida refere ainda que o CITAC tem preferência por encenadores que tenham alguma experiência, “porque queremos arriscar, mas também não podemos arriscar tudo”. Seduzidos por outras propostas também bastante arrojadas e aliciantes, conseguiram realizar a difícil tarefa de escolher um projeto com o qual trabalhar. No entanto, não deixaram completamente de parte algumas das restantes ideias que poderão vir a ser abordadas pelas direções vindouras.

Tendo já sido realizado nos anos setenta, oitenta e, mais recentemente, em 2008, o lançamento deste concurso tem surgido quando o grupo sente necessidade de realizar novas experiências no âmbito da expressão corporal e criativa. A hipótese de participar nesta iniciativa foi aberta a “toda a gente que tenha ligação ao teatro e que seja encenador”, inclusive estrangeiros. Desta vez, a adesão surpreendeu pela positiva, pois já tinha acontecido noutros anos não existirem mais que duas candidaturas.

Após realizar um ‘workshop’ de interpretação com esta equipa teatral académica, Rodrigo Santos teve conhecimento deste concurso através de um colega pertencente ao círculo. Premiado com 1500 euros, estada e alimentação, o encenador começou no dia 7 deste mês a trabalhar com o CITAC, mais especificamente com o grupo que foi selecionado no ano passado, aquando do curso bienal de iniciação ao teatro. Em termos de expetativas, esperava apenas “vir trabalhar com gente que quisesse trabalhar, que me desse liberdade para executar as minhas propostas”. Consciente de que não encontraria uma estrutura profissional e com intenção de dotar os atores de ferramentas criativas, está “contente com a experiência”. A apresentação deste projeto fora do comum está prevista para fevereiro do próximo ano.