Anonymous - 'hacking' social

Quarta, 09 de Novembro de 2011

por Acabra .Net

O grupo internacional de hackers, Anonymous, lança ameaça ao Facebook. Uma preocupação na internet com os problemas sociais e liberdade de direitos ganha forma como activismo. Por Sérgio Santos

A ideia começa simples, terminar com o Facebook, a rede social que agrega, segundo estatísticas do próprio site, cerca de 800 milhões de pessoas. 5 de Novembro foi a data estabelecida como meta para esse propósito, como pode ser ouvido em diversos vídeos disponibilizados na plataforma YouTube. A ideia foi, posteriormente, abandonada “por existir alguma discussão interna sobre avançar ou não com a operação”, começou por referir TheAnonMessage. “O Facebook é, hoje em dia, o principal mensageiro de informação de todas as revoluções e movimentos mundiais. Logo, se o ataque acontecesse neste momento, seria uma má mensagem por parte dos Anonymous, de que não nos preocupamos com os protestos mundiais”, sustenta ainda TheAnonMessage.

Elísio Estanque, sociólogo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, destaca “o potencial que a rede apresenta de utilização bondosa, progressista, de denúncia e maior transparência das instituições, mas, por outro lado, pode servir de estratégia de controlar a vida privada de cada um”. Opinião que fica patente quando TheAnonMessage declara que “o Facebook está a usar a nossa privacidade, vendendo informação confidencial a governos corruptos, como é o caso da Síria. Há uma grande probabilidade que, após a resolução de todas as pontas soltas no mundo, possa haver um ataque em grande escala ao Facebook, como forma de dizer que estamos aqui e estamos atentos.” Os últimos comunicados dos Anonymous apontam para 2012.

Mas nem só do Facebook vive a internet. “A rede está disponível, pelo menos em potência, para grupos neo-nazis, extrema-direita, pedofilia”, acrescenta Elísio Estanque. O grande público pode ter uma percepção distorcida dos Anonymous. O hacker refere que “qualquer coisa dita sobre nós é pura especulação, como foi o caso da Fox (canal televisivo norte-americano), que nos apelidou de demónios e ciberterroristas”. E ao abordar a Operação DarkNet, que encerrou, no passado mês de Outubro, 40 sítios de pornografia infantil, expondo cerca de 1500 pedófilos, TheAnonMessage assevera que “os Anonymous pretendem dar um exemplo: expor um molestador faz com que haja menos um pedófilo na internet e menos uma pessoa a abusar de crianças”.

Quando se fala nos Anonymous, pensa-se numa estrutura altamente organizada. Contudo, a realidade é outra, como nos mostra TheAnonMessage: “nós funcionamos como uma organização descentralizada, sem líder. As ideias surgem através dos vários membros e são partilhadas através de IRC (Internet Relay Chat, um protocolo de comunicação) ou comunicados públicos. As boas ideias ganham força e as outras simplesmente morrem”. O importante é também reter que “se és um Anonymous, acreditas em liberdade, justiça, igualdade, discurso livre e exclusão de censura”, como defende TheAnonMessage.

“Há determinados grupos que se especializam e aperfeiçoam em dominar os instrumentos que permitem aceder a sítios e plataformas protegidos”, afirma o sociólogo do CES. A Wikileaks surge como um exemplo óbvio de um depositório de informação resultante destas situações, com algumas baixas entre os Anonymous, que TheAnonMessage encara como “um sacríficio no colectivo. Todavia, o nosso apoio à Wikileaks continua e queremos que as pessoas entendam que a cadeia é para criminosos, não para hacktivistas que querem devolver direitos às pessoas”.

Ainda na memória recente estão as insurreições na chamada África branca, com revoluções em países como a Tunísia, Egipto e Líbia. TheAnonMessage considera que “os Anonymous, juntamente com outros grupos, funcionam como primeiros impulsionadores da mensagem, através da internet. Depois, o encerramento desta pelos governos, que mostra haver algo a esconder, levou as pessoas para a rua”.

A polémica continuará, num mundo em permanente evolução. Mas é impossível ignorar uma das frases de TheAnonMessage durante a conversa: “seremos sempre a faísca que acende o fogo do conhecimento”.