Afinal, a Super-Mulher existe
Sábado, 06 de Março de 2010
por Bruno Monterroso
Como é que alguém sozinho consegue construir e interpretar uma peça de teatro durante hora e meia e no final, deixar os espectadores a querer mais? Perguntem a Denise Stoklos
No palco, uma mulher de pés descalços e uma cadeira. Desafio: em hora e meia de monólogo, justificar o bilhete dos espectadores. Resultado: aplauso unânime, de pé, tão intenso e ininterrupto quanto as palavras, gestos e acções da protagonista.
Esta seria uma síntese simples e resumida, mas não serve. Vejamos, durante o tempo que demora uma partida de futebol, a actriz brasileira Denise Stoklos falou, correu, saltou, dançou, provocou risos, sorrisos e gargalhadas, espanto e surpresa, e pelo meio expôs a história da Rainha Maria I da Escócia (encarcerada pela primeira vez aos 24 anos, executada aos 44), utilizando-a como forma de intervenção social ("será que a tortura no Mundo já acabou?") ou até filosófica: "tudo o que fazemos dura para sempre, nada é verdadeiramente mortal".
No final, ocorrem expressões como brutal, monstruoso, ou simplesmente único. Com efeito, não é comum, para dizer o menos, uma pessoa entreter um sala quase cheia durante hora e meia, e no final receber um aplauso tão genuíno quanto inevitável e desejado por todos. Em segundos, a sala ficou de pé e ninguém queria parar de, no fundo, agradecer aquilo que foi uma demonstração bárbara de talento e qualidade (foi também a actriz que criou a peça).
Denise, obviamente, não conseguiu deixar de retribuir o carinho do público com vénias e gestos de agradecimento, natural quando este é genuíno. À quarta vez, as cortinas finalmente fecharam, mas muitas outras se abrirão para esta actriz de 56 anos com a entrega e energia de uma jovem de 20, e com - certamente - ainda imenso para dar.






