Coimbra 1111

A Reconquista de Coimbra por quem a escreveu

Sexta, 17 de Junho de 2011

por Catarina Gomes

A menos de uma semana para a estreia da peça “Coimbra 1111”, o Jornal A Cabra entrevistou Jorge Louraço Figueira, autor do texto que serve de base aos atores do projeto. Segundo o próprio, “o texto tem uma espécie de regra - as personagens principais dirigem-se sempre a uma terceira pessoa. Há medida que o texto se desenvolve, a terceira pessoa passa a ser o público”


Jorge Louraço Figueira colabora com O Teatrão desde 2003, quando lhe foi “encomendada” uma peça. Desde então, tem vindo a fazer vários trabalhos com o grupo e, na sua opinião, os frutos dessa parceria têm sido bastante felizes. “As questões do tema, método e forma de intervenção na comunidade são muito discutidas e o trabalho é muito partilhado. Dá-me muito prazer”.

A ideia de fazer uma peça com as caraterísticas de “Coimbra 1111” surgiu durante o ano passado, em meados de outubro, quando o grupo começou a pensar que tema seria mais interessante trabalhar em 2011. “A questão da importância da cidade no contexto nacional e a nossa relação com a história mais recente de Portugal pareceu um tema que interessava às pessoas”, revela Jorge. A ideia foi depois amadurecendo e tomando outras proporções e direções, há medida que também se iam levando a cabo outras peças pela companhia.

A parte da dramaturgia, explica, é feita em casa. “Nos ensaios o trabalho é muito debatido e o processo é muito coletivo. Todas as etapas do espetáculo são bem conhecidas por todos”. O texto, como já foi adiantado em artigos anteriores, é apenas uma base, um guião de movimentos que deixa em aberto a forma como os atores os vão representar. A peça é, por isso, muito aberta ao improviso. “Desta vez escrevi sozinho e enviei-lhes o texto. Nesta representação a minha parte é mais reduzida porque é um espetáculo de rua, em que muita gente participa”.

Segundo Jorge Louraço Figueira, desde o primeiro momento souberam que queriam que a peça fosse “uma grande festa”. A questão da participação do público estava desde logo implícita na ideia de reconquistar a cidade e, consequentemente, de reconquistar o teatro. O público é, por essa mesma razão, uma das personagens principais.

A peça, a estrear no próximo dia 23 e a repetir no dia 24, foi bem recebida pela comunidade que nela está a participar e, nas palavras do autor dos textos, tem “todos os ingredientes” para que seja igualmente bem recebida pelo público. “Coimbra 1111” vai ser representada também nos dias 4 de julho, 27 de agosto e 10 de setembro.