A inauguração de uma rotunda muito especial
Sábado, 26 de Junho de 2010
por João Ribeiro
Na segunda peça ao ar livre do IV Festival das Companhias, o Teatro de Montemuro oferece uma comédia de costumes carregada de crítica social
A história é simples e está longe de ser fantasiosa. Aliás, prima pelo realismo se bem com os exageros próprios que caracterizam uma boa comédia. E é precisamente isso que “Presos por uma corrente de ar” é.
Está lá tudo. Crítica social do princípio ao fim. Personagens marcantes. Música animada e roupas coloridas.
Mas comecemos pelo início. Um presidente de câmara está prestes a terminar o mandato e a começar a campanha eleitoral. Há que deixar obra portanto. E de que se lembra o nosso edil? Isso mesmo, uma rotunda… Calma! Não se trata apenas de mais uma. Pois não. A história da construção desta obra pública é simplesmente deliciosa.
Uma obra "singela como todas as grandes obras", diz-se
A derrapagem orçamental com que subitamente se depara a obra obriga a uma redução das despesas. E onde cortar? Nos materiais, por exemplo. E aqui entra um dos confrontos mais caricatos da peça. De um lado, o arquitecto, com sotaque francês e tudo, desfeito pela substituição do seu granito da Bretanha, por um singelo granito de madeira; do outro, o empreiteiro “amigo” do presidente que não é propriamente sensível para as questões estéticas.
E pelo meio temos os problemas conjugais do presidente e primeira-dama, a costumeira crítica eclesiástica e há até espaço para os “dramas” pessoais dos imigrantes ilegais cujo destino é a construção civil.
Uma interpretação agradável perante um público que não coube na bancada improvisada do Pátio da Inquisição em noite branca em Coimbra. Todos aguardando a “grandiosa” rotunda! Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.






