A Colina de Camões é um anfiteatro criado para reflectir a arte
Domingo, 25 de Julho de 2010
por Rafaela Carvalho
Cristina Castel-Branco, a arquitecta paisagista responsável pelo anfiteatro da Colina de Camões na Quinta das Lágrimas, explicou ontem, 24, algumas das funções da obra e a importância dos "reflexos" na estruturação do local
"Queria que a música tocasse na água" é a justificação de Cristina Castel-Branco, arquitecta paisagista autora do projecto que em 2008 restaurou os jardins da Quinta das Lágrimas, para a contrução do lago situado no sopé da Colina de Camões.
Apesar de os engenheiros hidráulicos considerarem desnecessária a construção de uma superfície de água parada no local, a arquitecta que esteve ontem, 24, presente no Festival das Artes para a conferência "4 rios para o paraíso", admite que a sua vontade era construir um tanque, inspirado nos jardins Persas, que permitisse "reflexos" das actividades artísticas que aí decorressem.
O anfiteatro tem também, segundo Cristina Castel-Branco, a função de "bacia hidráulica" que permite reduzir os riscos de inundação associados aos "invernos tristes e perigosos" que o local costuma sofrer devido ao lençol de água proveniente da encosta de Santa Clara. A arquitecta admite ainda que, em 2008, os trabalhos tiveram como objectivo criar canais de irrigação para reduzir os riscos e o "espelho de água" que é o lago teve como principal função "manter o canal elevado".
A maioria dos trabalhos da arquitecta mostram a forma de "trabalhar a água para a fazer chegar das minas até aos locais de reflexo e de água parada" e Cristina Castel-Branco aproveitou a ocasião para caracterizar brevemente a história da arquitectura de jardins focando "a forma como a água tem vindo a ser tratada como elemento artístico no exterior" e utilizando como exemplos alguns dos seus trabalhos e das obras internacionais que lhe serviram de inspiração.
Utilizações da água na Quinta das Lágrimas
Cristina Castel-Branco explicou também que ao longo dos tempos a água da Quinta das Lágrimas, que se espalha por quatro canais distintos, os "4 rios do Paraíso", foi utilizada para alimentar diversas estruturas hidráulicas do Mosteiro de Stª Clara-a-Velha e para a produção de azeite num lagar cujas ruínas podem ainda hoje ser visitadas.






