A cartografia e o reino animal apoderam-se do Museu da Ciência
Sexta, 18 de Novembro de 2011
por Acabra .Net
Iniciada no passado dia 26 de Outubro, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, a exposição “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber” promete levar o visitante numa viagem por Portugal e o continente americano. Por João Valadão
Linces, veados, javalis, crocodilos, máscaras e mapas são alguns exemplos do imenso espólio que está agora em exposição nos corredores do departamento de Zoologia. Os seres naturais, como objectos culturais, surgem como proposta de interpretação do mundo. O espólio “é resultado das viagens filosóficas feitas nos primórdios do século XVIII”, conta o curador Paulo Bernaschina. Na base desta galeria estão Michele Ciera e Domingos Vandelli, lentes das Faculdades de Filosofia e de Matemática da Universidade de Coimbra durante a reforma pombalina.
Vandelli, fundador do Jardim Botânico de Coimbra, foi responsável pelas viagens filosóficas financiadas pela Coroa Portuguesa na segunda metade do século XVIII, o que permitiu inventariar novas espécies de fauna e flora até então desconhecidas. Michele Ciera foi contratado para delimitar as possessões portuguesas no Brasil e foi para lá que partiu em 1751. Concluídos os seus trabalhos de cartografia veio para Portugal para ensinar no Colégio dos Nobres em Lisboa, mas fracassado o projecto foi posteriormente convidado a ensinar álgebra na Faculdade de Matemática e astronomia na Faculdade de Filosofia.
A mostra remete para um tempo em que Portugal e Espanha dividiam o mundo através de meridianos e fica subjacente a ideia que o conhecimento é poder, que é precisamente o que “as obras pretendem cartografar” diz ainda Paulo Bernaschina. O curador realça ainda a importância do trabalho de Michele Ciera na criação da nação brasileira, pois até então “não havia a certeza de onde começavam e terminavam os territórios portugueses”.
Para além de todo este espólio a exposição conta também com uma série de obras artísticas, peças de 18 autores contemporâneos, que pretendem redesenhar um novo itinerário para o visitante. A também curadora Catarina Pires destaca a importância destas obras que “fazem com que as pessoas pensem de outra forma sobre as coisas”.
“Da cartografia do poder aos itinerários do saber” insere-se nas comemorações dos 100 anos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e estará exposta no Museu da Ciência até 31 de Dezembro próximo.






